16/09/2008

46 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

n
A arte de Zaíra Caldas
por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Afonso Martins



Alberto Tassinari, ao discutir o espaço moderno, diz que “a passagem da fase de formação da arte moderna para o seu desdobramento (arte contemporânea) se dá por uma inteira opacidade da superfície do quadro.” O espaço moderno da pintura de Cézanne é o vidro transparente através do qual se vêem as coisas. Essa transparência é em parte obstacularizada pela trama das pincelas, pois o plano da pintura é em parte naturalista e em parte a própria destruição do naturalismo. Esse dinamismo interno é uma contradição que vai de 1870 até a segunda metade do século XX, quando o espaço da arte moderna torna-se manuseável. O espaço moderno torna-se um espaço do fazer. Isso, em intensidade crescente, vale para Ponte de Maincy (Cézanne), Telhados em Céret (Braque), Guitarra ( Picasso), Ritmo de Outono ( Pollock) e Fool´s House (Jarper Johns).


Zaíra Caldas é pioneira, no Rio Grande do Norte, no manuseio do espaço da tela. Constrói formas com cascas de árvores que, depois de passarem pelo ácido nítrico, são mergulhadas no cal e coladas sobre as telas. Imagem sobre imagem. Imagem gerando imagem ao sabor do observador. Desenhista, pintora, gravadora, escultora, ceramista, tapeceira e poeta, a artista expressa, em suas obras, o movimento de seu espírito usando, para isso, diferentes linguagens. Sua trajetória evolutiva é um testemunho de independência cognitiva.


A sua notoriedade revela-se nos anos 60, quando realizou uma antropologia visual, pintando portões, fachadas e varandas das casas de Recife e Olinda. Mas foi nos anos 80 que a artista se singularizou, criando texturas com o material orgânico.


Possuidora de grande técnica, Zaíra constrói formas que lembram os manguezais, um dos estuários mais ricos em diversidade do planeta. O observador vê emergir figuras míticas e fantásticas. Para Câmara Cascudo, nos trabalhos de Zaíra, “a tonalidade é de matiz crepuscular, de penumbra serena, (...) numa coloração estranha, transparente, cor do tempo”.


A artista diz que seu trabalho nasce da escuta de sua interioridade. Meu trabalho é irreal, não trabalho com o abstrato. Toda rosa é irreal, é transfigurada.


Autodidata e pesquisadora incansável, suas buscas levam-na à escultura com acrílico, ao alumínio, ao bico de pena, ao cimento, a caixas de papelão de formas e tamanhos variados, a garrafas plásticas, ao acrílico etc. Seus painéis em alumínio e ferro estão em cidades como Fortaleza e Brasília, entre outras capitais.


A obra de Zaíra Caldas chama atenção por seus aspectos particulares, subjetiva e original em cada criação possibilitando às pessoas a descoberta diversa de inúmeros cenários artísticas. É dessa comunicação direta com o público- não por meio de signos e símbolos retirados da cultura de massa e do cotidiano, mas da natureza – que a artista constrói intuitivamente campos fantásticos que remetem, aí sim, a cultura de massa e ao cotidiano como forma contínua de evolução.


ZAÍRA CALDAS COMPÕE O ACERVO DA PINACOTECA DO ESTADO!
j
curtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAS


Até 30 de setembro de 2008 estão abertas as inscrições de propostas para as programações dos CCBNBs Fortaleza-CE, Cariri e Sousa-PB, a serem realizadas durante o ano de 2009 para artistas visuais. Mais: http://www.bnb.gov.br/
....
O Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro abriu a exposição "Rubens e seu Ateliê de Gravura", reunindo 80 gravuras de um dos maiores expoentes do barroco europeu, Peter Paul Rubens (1577-1640). Segue até 19/10.
....
Na última quinta-feira, 11, o artista potiguar Flávio Freitas participou da exposição de pintura "ARTISTAS BRASILEIROS 2008 - Novos Talentos" no Salão Negro do Senado Federal em Brasília.
Publicado em 16 de setembro de 2008

10/09/2008

45 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA


... E A PINACOTECA VAI SUMINDO DO MAPA
Por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Afonso Martins


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva lançou, em outubro do ano passado, o programa Mais Cultura, na intenção de proporcionar aporte de recursos de cerca de R$ 4,7 bilhões na cultura brasileira nos próximos três anos. O Programa é uma das estratégias do MinC para ampliar o apoio e os investimentos do Governo Federal em todas as regiões do país.


A atitude do presidente fundamenta-se nos dados, que podem ser acessados no site do Minc, onde 92% dos brasileiros nunca foram a um museu; 93,4% nunca freqüentaram uma exposição de arte; 78% dos brasileiros nunca assistiram a espetáculo de dança e mais de 90% dos municípios não possuem salas de cinema, teatro, museus e espaços culturais multiuso.


O brasileiro lê em média 1,8 livros per capita/ano (contra 2,4 na Colômbia e 7 na França, por exemplo); 73% dos livros estão concentrados nas mãos de apenas 16% da população. O preço médio do livro de leitura corrente é de R$ 25,00, ou seja, elevadíssimo quando se compara com a renda do brasileiro nas classes C/D/E. Isso sem falar nos 600 municípios brasileiros que nunca receberam uma biblioteca- destes, 405 ficam no Nordeste, e apenas dois no Sudeste.


Esse dados demonstram a situação precária em que se encontra a população brasileira. O Rio Grande do Norte, porém , consegui ir mais além. A Pinacoteca do Estado está sendo desapropriada pelo governo. A governadoria, está funcionando na Pinacoteca! Não trata-se mais de palavras! Em uma atitude real, de carinho e respeito pelo patrimônio artistíco potiguar, Vilma de Farais decidiu trabalhar junto ao maior e melhor acervo do Estado. Colocou as obras entre birôs e vai e vens de pernas de todos os tipos , tamanhos e interesses.


Qualquer um pode ver o descaso, com a coleção de artes visuais do Estado do Rio Grande do Norte. O que poderia justificar tal atitude? A beleza do prédio ou o amor pela cidade? É a confirmação da inexistência de interesse pelos bens culturais da cidade. Como resposta é lançada uma pinacoteca virtual. Ora, 82% dos brasileiros não têm computador e 70% não tem acesso a internet. O que torna Pinacoteca virtual é um despropósito.


Há muito que esse ato vinha sendo denunciado, contudo a representação do Instituto de Patrimônio Historico Artístico Nacional não se manifestou nem o procurador do meio ambiente - que por sinal, estava no seminário “Cidade em Alta: Perspectivas do Sítio Histórico”, quando foi lançado uma carta à governadora onde solicitava-se uma atitude contra a atrocidade que se aproximava.


A sociedade brasileira discute, desde 2003, um Plano Nacional de Cultura - O PNC. O Ministério da Cultura se empenha em favorecer o desenvolvimento e a expansão da cultura brasileira. Aqui o exercíco é de encobrir, embotar, destruir. Enquanto o ministério da cultura, investe, na cultura como um bem de consumo, garantindo acesso da população aos bens e serviços culturais, através de projetos, programas e ditais o governo do Rio Grande do Norte, retira a arte do espaço que a abrigava há dez anos, para instalar birôs e biombos, deixando-a entre a poeira dos pés da própria governadora e da tecnoburocracia que a acompanha.


CURTAScurtas CURTAScurtas CURTAScurtas CURTAScurtas CURTAScurtas CURTAScurtas

Estão abertas as inscrições, até 29 de setembro de 2008, para o Programa Nacional de Bolsas da Funarte. Para artistas, críticos e outros profissionais das artes em todo o território brasileiro. Mais http://www.cultura.gov.br/
.........................................

A Funarte laça o Prêmio Marcantonio Vilaça em parceria com o Iphan e concede até R$ 90 mil a instituições museológicas de todo o país, para aquisição de obras de arte que complementem seu acervo. As inscrições estão abertas, até 1º de outubro de 2008. Mais http://www.cultura.gov.br/
.....................................
As inscrições para a Rede Nacional Funarte Artes Visuais estão abertas, somente para instituições culturais sem fins lucrativos, até 1º de outubro de 2008. Mais http://www.cultura.gov.br/

PUBLICADA EM 09 DE SETEMBRO DE 2008

02/09/2008

44 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

A ARTE DA OUSADIA – GUARACI GABRIEL

Por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Afonso Martins

Foto: divulgação


Seguimos com o projeto verbivisual, criando neste espaço uma área tanto para textos críticos e informativos sobre arte contemporânea, mas, agora, desenvolvendo um encontro com os artistas potiguares e suas obras em um intercâmbio entre seus processos e quem nos lê.

No sábado, 23 de agosto, foi possível visualizar na BR 304, em Mossoró, uma garça gigante de 12 metros de altura, em ferro e com um fusca branco servindo-lhe de tronco. “A ave está com o bico todo ensanguentado, pois foi flagrada no momento em que engolia um homem que passava por ali em sua bicicleta.” Em sua base, um relógio com uma cédula de 5 reais e ponteiros que são a silhueta de um homem e uma mulher marcados pela imagem do DNA. A obra, batizada de ConFerido, nos mostra, com o gênio criativo de Guaraci Gabriel, uma metáfora da ciência mecanicista e a devastação humana. Para onde caminhamos? Essa é uma pergunta crítica que perdura no conjunto das obras do artista.


Ítalo Calvino, em Seis Proposta para o Próximo Milênio, diz estarmos perdendo a capacidade de imaginação. Guaraci Gabriel nos demonstra que não, e produz, initerruptamente, sempre marcado pela monumentalidade. ConFerido está localizada a 500 metros da obra Boca da Noite (2004), que representa o Planalto Central, com 17 m, e é composta por dois fuscas, um virado para cima e outro para baixo, espetados em garfos e facas de ferro. Referências ao fracassado Projeto Fome Zero.


A partir de 1990, inicia uma pesquisa em construções públicas monumentais. Em 1998, executa a maior escultura em sucata do mundo, integrando o Guinness World Records com a obra Guerra e Paz (1998), de 24 metros de comprimento e 50 toneladas de metais cravados na Via Costeira. Alguns anos depois cria a imensa e linda obra A Flor do Tempo, de 17 metros de altura e 10 de diâmetro que foi exposta em Natal (2001), na Bienal do Mercosul (2002) e na Bienal de Havana (2003).


Na obra Raio X, selecionada para a IX Bienal de Havana, reflete sobra a ciência e o homem. Transfere para a lateral dos ônibus de Havana, plotagem de objetos que estariam sendo carregadas pelas pessoas sentadas do lado de dentro (num raio X imaginário), como: celular, objetos, agenda, equipamentos, entre outros. A obra foi parar na Bienal do Fim do Mundo na Patagônia e nessa versão, Guaraci plotou pessoas, entre elas: sua mãe; o artista Jota Medeiros; a romanceira Militana; o editor Abmael Silva.


O conjunto das obras de Guaraci Gabriel divide-se em cernes moldados ao bronze e no cimento; âmagos construídos no aço e no ferro e um terceiro, e signifcativo, que é aquele produzido com o lixo da indústria. Obras que exigem equipamentos de peso: guindastes, britadeiras, empilhadeira, caminhões. Uma engenharia, que requer pesquisas envolvendo a física, a tecnologia, o cálculo, a compreensão da malha administrativa da cidade e a coordenação de dezenas de operários.


Além da própria criação, Guaraci tece na maioria das vezes, como quase todos os artistas potiguares, as condições de financiamento das próprias produções de suas obras. Na produção de Crucifixo Coação em Cristo de Escape, ele seguia nos ônibus, nos escritórios e na Governadoria do Estado vestido de rei em busca de financiamento. Na individual Nona Dimensão (2000), o artista vestiu-se de Calígula que e recepcionava os observadores que iriam apreciar o corpo de um cavalo em estado de putrefação na Pinacoteca do Estado, como protesto às instituições que lhe haviam negado patrocínio para a realização da obra Guerra e Paz e que, nove meses depois, é pago ao patrocinador do artista, seis vezes mais do que o solicitado, como patrocínio, para a retirada da obra.


Guaraci realiza grandezas e inquieta-se o tempo todo, sem abrir mão do amor e da paixão, condições essenciais para a sua existência, porque sabe que a intervenção e a performance são políticas, são culturais e são artísticas. A singularidade da Arte Contemporânea consiste em reconhecer e tecer caminhos na complexidade da sociedade e do homem no espaço-tempo presente.
publicada em 02 de setembro de 2008

43 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

O CORPO E A ARTE

por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Afonso Martins
.

Chris Burden


Quando, em 1971, o artista norte-americano Chris Burden realizou a performance Shoot, não sabia que estaria sendo o autor de uma relação entre arte e corpo das mais controversas que só ganhou, com o tempo, mais adeptos e novos estilos como o Branding (queimadura), escarificações (cortes), perfurações (piercings e buracos).

A performance realizada por Burden ao entrar numa galeria de arte e se posicionar em frente a uma das paredes para levar um tiro, intencional, de um amigo, com rifle calibre 22 entrou para a história. Uma câmera filmou o ato e a obra é considerada, até hoje, como uma das mais fortes. Entretanto, cerca de três anos depois, a artista Marina Abramovich, realizou uma performance (Rhythm 0) na qual os espectadores podiam mutilá-la e matá-la com instrumentos colocados a disposição num total de 72 objetos. A performance foi interrompida quando alguém apontou uma arma para a cabeça da artista.
Na bienal de São Paulo de 2004, o búlgaro Rassim Krastev, apresenta uma videoinstalação "Corrections 2", na qual exibe o passo-a-passo de sua circuncisão, feita quando ele se converteu ao islamismo. Inúmeros outros artistas seguiram no campo da performance e o "ataque" ao corpo como também Gina Pane, Piero Manzoni, Günter Brus e outros.

Estes artistas ampliaram a percepção de um diferenciado suporte da arte construindo um caminho no qual o engajamento do corpo é o ponto de partida da leitura. No campo da arte, da performance e da body art, a relação que se dá entre o limite físico, a dor, o sangue entra no questionamento da própria condição humana e nada tem a ver com auto-punições alienantes.

O corpo é tema e mídia, expressão e arte. A performance é uma manifestação do corpo como expressão da vida e de tudo que pode abarcar, do sonho ao pesadelo.

No dia 21 de agosto, o MAM da Bahia realizou uma conferência com a artista francesa Orlan, conhecida pela prática de quebrar os padrões estéticos ocidentais de beleza e na transformação sistemática e contínua de seu próprio corpo.

Dessa forma, o corpo adentra outras mídias e expressões de uma forma decisiva e a utilização do corpo na arte possibilita ao espectador a reflexão de sua própria existência cotidiana e as influências do meio ao seu comportamento estabelecendo um confronto entre o externo e o interno, possibilitando, com sorte, uma decomposição do inútil que nos toma.

CURTAS
Abertas, até 02 de setembro, as inscrições para o Arte Pará 2008. Mais: http://www.frmaiorana.org.br/
...
O terceira edição do projeto Mobilifest, que tem como tema a pergunta - Como a tecnologia móvel pode contribuir para a democracia, cultura, arte, ecologia, paz, educação, saúde, e o terceiro setor? - tem as inscrições prorrogadas até 31 de agosto. Mais: http://mobilefest.org/
...
Prorrogado, até 19 de setembro, as inscrições para artistas visuais interessados em participar do 47º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe. Mais: http://www.fundarpe.pe.gov.br.0/

Publicada em 26 de agosto de 2008

20/08/2008

42 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

ARTE MODIFICADORA
Por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Afonso Martins


Nosso texto dessa semana é baseado no comentário da pesquisadora e artista Bárbara Echevarría na revista argentina No-retornable onde diz que os muros da cidade são a abertura para o fazer crítico e para a reflexão sobre a nossa experiência cotidiana e suas múltiplas construções de sentido, em uma cidade que desenvolve discursos institucionais que tentam desarmar a identidade política e eliminam toda resistência provocada por novas formas de reflexão.


Como questionamento ela nos coloca que” Sabemos que a realidade não existe, que devemos nos conformar com a percepção que dela podemos ter. O que se passa quando os códigos mudam e alteram nossa maneira de pensar, de nos relacionarmos com o mundo? Por acaso o mundo também muda.”


É dentro desta percepção que a arte contemporânea vai além da preocupação com a vanguarda ou com qualquer tipo de nomenclatura, uma vez, que os artistas estão comprometidos não somente com suas carreiras, mas com gerar acontecimentos que suscitem além de novas práticas, reflexões e modificações permitindo uma nova escritura de nosso corpo na paisagem.


Muitos acham que os espaços ociosos, os muros e casas abandonadas seguem em silêncio numa morte anunciada, quando verdadeiramente, há um grito tomado por trás desse suporte ao qual os artistas dão voz, reincidem sobre a natureza das coisas e perfazem novos caminhos para diálogos entre passado, presente e futuro.


Por outro lado, quando falamos sobre o espaço urbano, a que espaço urbano nos referimos a um existente em Natal e a um outro em São Paulo? Haverá as mesmas noções de sentido, de valores, de referenciais? Essa universalização que entra em contato com o particular gera soluções adequadas a ambos? Não nos omite o questionamento de que no mundo pós-globalizado as questões universais chegam aos interiores com a mesma força, ou mais, do que centros mais desenvolvidos. A arte urbana propicia além do questionamento o entendimento de nossa própria realidade.


Se a violência toma os noticiários e os assuntos cotidianos, podemos nos perguntar de que linguagem a violência trata? Se as relações complexas de aprendizado acontecem em meio a competitividade de mercado, ao qual, os próprios artistas se vêem entrançados, como modificar, através da arte, o potencial destrutivo de nossa sociedade? A arte por si engendra possibilidades que tocam o sutil, o encantamento, o lúdico, a subjetividade dos valores novos e velhos.


Dessa forma, as manifestações artísticas urbanas são propícias para modificações a partir de reflexões e formação de novos caminhos para muitos jovens que passam a lidar com o cotidiano como matéria-prima da revolução modificadora da realidade.
CURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtas


- Aberta a oitava edição do Prêmio Porto Seguro de Fotografia 2008. O tema é "Retrato em Questão, a Imagem Brasileira." Mais: www.portoseguro.com.br/fotografia.

- Nos dias 19, 20 e 22 de agosto acontece em Fortaleza o seminário, coordenado por Bitu Cassundé, sobre políticas de inserção e o circuito da arte no nordeste, como o título: Arquitetura de um Circuito em Construção – Nordeste. Mais: www.bnb.gov.br/cultura

- A segunda edição da Bienal de Artes Brasileiras de Bruxelas recebe inscrições até 30/09/08.
São aceitos projetos (pintura, escultura, desenho, fotografia, instalação, performance, vídeo, etc) de artistas brasileiros residentes no exterior. Mais: www.bienalbrasileiradebruxelas.com
Publicado em 19 de agosto de 2008

12/08/2008

41 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

SEJA MARGINAL, SEJA ARTISTA
CURADORIA: Lourival Cuquinha e Flávia Giroflai

Como informamos na coluna anterior, estaremos trasnformando essa coluna num espaço expositivo verbivisual, ao apresentar alguns dos projetos selecionados para integrar a coletiva Seja Marginal, Seja Artista.

FERNANDO PERES E IRMA BROWN (PE), Vernissage, trabalho composto de taças e copos roubados em aberturas de exposições. Esse e um roubo recorrente no meio artístico e a obra será constantemente ampliada até a abertura da exposição. O trabalho será exposto em uma cristaleira vedada, contendo todas as preciosas taças.

ALEXANDRE VOGLER (RJ) traz o registro nominado de Tridentão, realizado em Nova Iguaçu. O artista pintou um grande tridente numa pedra que integra a paisagem vista pelo cruzeiro da cidade. Dias depois pastores e o prefeito da cidade (Lindenberg Farias) fizeram uma “performance” de purificação do ambiente sem entender que o artista tinha feito uma homenagem ao deus Netuno.

TICIANO MONTEIRO (CE) apresenta o trabalho Soluções Versáteis para a vida moderna, no qual o artista apresenta objetos roubados por ele de grandes lojas de departamento. Estes objetos são carimbados com o logo do projeto e dispostos como uma natureza morta no ambiente expositivo. Teremos ainda um vídeo que registra este roubos de forma discreta.

DUCHA (RJ) fez o vídeo Cristo Vermelho, em que o artista com um grupo de escaladores pintam os holofotes do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, originalmente azuis, de vermelho. O Cristo passa mais ou menos 15 minutos vermelho e é visto por toda a cidade maravilhosa.

LOURIVAL CUQUINHA (PE) vídeo Parangolé, sobre o roubo de um Parangolé, obra de Hélio Oiticica. “Eu, Lourival Batista, passei mais ou menos um dia com ela, filmamos tudo, o museu ameaçou chamar a policia, devolvi então no dia seguinte.” O vídeo com o resto da montagem se tornou uma instalação, mas nunca montei.

LOURIVAL CUQUINHA (PE) vídeo Los Erramos – que consiste no registro de uma entrevista feita por um radialista, que confundiu o artista com um dos integrantes da banda Los Hermanos. Cuquinha e os integrantes da banda estavam hospedados no mesmo hotel, na programação do Festival de Inverno de Garanhuns de 2003. Seguiu-se uma entrevista absurda, na qual a falsidade ideológica imperou. “Quando a banda chegou no hotel depois do show mostrei o vídeo a eles na tv do saguão e dei-lhes uma cópia para que me processassem se fosse do interesse. Eles colocaram no site e o Sopa Diário exibiu na outra semana.” Lourival apresenta também a vídeo-instalação e performance Artrafic no qual relata a subversão de transformar uma pedra de haxixe numa obra. O artista pegou a pedra fez um buraco no centro e passou uma linha transformando-a num colar e fez um manual de instruções em PB e xerocável e uma seqüência de fotos de como usar. Em sua exposição no Palais de Port Doré, na França, onde a obra foi realizada, foram vendidos vários colares.

NONINONINONO (TERRORISTA) vídeo Noninoninono, que narra a detonação com tinta branca de vários cartazes/outdoors de políticos durante a eleição de 2002 para presidente.

YURI FIRMEZA (CE) Souzousareta Geijutsuka, o trabalho consiste na criação do fictício artista japonês Souzousareta Geijutsuka (ele mesmo) responsável por uma exposição do artista nipônico no Dragão do Mar. Toda imprensa do Ceará fez matérias com o artista inexistente. O trabalho fez os integrantes de um suposto sistema de arte nacional discutir arte, lógica de mercado, subserviência cultural ao que vem de fora, o papel da imprensa e sua credibilidade e a postura dos jornalistas.

GRAZIELA KUNSCH (SP) vídeo-instalação Escolha Uma, que não se trata necessariamente de um crime, mas de testar limites. A obra na qual a artista se prostitui nas ruas de Belo Horizonte e filma tudo de longe foi disponibilizado numa cabine de Peep Show dentro do Museu.

06/08/2008

40 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA


SEJA MARGINAL...
Por Lourival Batista (Cuquinha)

Um projeto de curadoria que propõe reunir obras que trabalhem no limite da legalidade, que fiquem num lugar entre arte e crime. Pretende-se levantar um repertório de obras de artistas nacionais e alguns registros de obras internacionais que tenham esse viés. Trabalhos que só a conceitualização pode justificar uma não-punição. Nesses casos, o artista cria uma poética da obra essencialmente questionadora da autoridade instituída, do poder de decisão do Estado sobre os atos do indivíduo e dos dogmas da sociedade em que vive.

Existem crimes que são definidos por auto-preservação radical da espécie como o caso do homicídio, mas outros são exclusivamente definidos por questões culturais da sociedade envolvida. A questão dos hábitos da mulher em sociedades fundamentalistas islâmicas ou a proibição da maconha no ocidente passam por essa discussão. São exatamente inversas, se tomarmos como exemplo o Marrocos e o Brasil.

É a partir desse paradigma de diálogo dos costumes sociais que esses trabalhos tornam-se importantes. Utilizando-se do palco pretensamente neutro da arte contemporânea, eles propõem reflexões, nem sempre prazerosas, de uma ironia e sarcasmo essenciais para uma sociedade induzida pela mediocridade de novelas e domingões dos faustões. Não se pretende fazer necessariamente uma apologia do crime, mas discuti-lo. Pensar sobre o que é crime e por que alguns atos o são, pois até mesmo matar alguém se torna aceitável se o Estado o faz através de uma pena de morteTanto a arte quanto o crime são praticados por motivações diversas, que variam desde a necessidade da prática, o prazer da execução e até mesmo uma afirmação pessoal.
Dentro dessa gama de motivos para cometer crimes existem as questões financeiras/sociais como o roubo para saciar a fome, que nas cidades grandes são pequenos furtos e nas zonas rurais um roubo de galinhas. Já nas classes mais abastadas e no poder político, o crime se configura cruelmente através da corrupção, do desvio de verbas e principalmente da perpetuação da desigualdade social e da exploração do trabalho humano, crimes de difícil tipificação.

A criminalidade também se configura por razoes emotivas, assassinatos passionais, violência doméstica e até mesmo furtos de objetos de desejo. Outro motivo a ser considerado é a doença, justifiquem-se aí os cleptomaníacos, os tarados bizarros e psicopatas afins. Enfim, como diz meu tio, "a humanidade nunca decepciona: se tiver algo pior para ser feito, vai ser".

Essa curadoria também levanta uma velha e defasada discussão sobre se as obras são ou não arte. Uma pintura hoje, qualquer coisa pintada sobre uma superfície, ninguém questiona se é ou não arte. Pode-se dizer que é ruim, mas é arte.

Realmente essa discussão é meio brega, mas no caso desta exposição ela levantada com muita força. É uma exposição na qual só a certeza do discurso artístico vai eximi-la das penas da lei . É obrigatória a performance do convencimento, de si mesmo até. Se você não tiver convicto, ninguém vai estar.

CURTAScurtas CURTAScurtas CURTAScurtas CURTAScurtas

Artista plástico Athos Bulcão morre em Brasília (DF) aos 90 anosO arquiteto, escultor, pintor, desenhista e mosaicista Athos Bulcão morreu em 31/07/08. São Athos tem uma série de obras em igrejas e monumentos de Brasília. Criou painéis artísticos em países como França, Itália, Argélia, Argentina e Cabo Verde. Mais: www.fundathos.org.br.
...........

Madrid Abierto 2009-2010, na Espanha, recebe inscrições de projetos até 10/09/08Projetos de intervenções artísticas e de arte sonora e audiovisual para serem apresentados na Casa de América e no Círculo de Bellas Artes. Os projetos serão apresentados no mesmo período da feira espanhola de arte contemporânea Arco, em fevereiro de 2010. Mais: www.madridabierto.com
........
Bolsas de Incentivo Griô_Inscrições até 15 de agosto. Mestres de tradição oral, que estejam envolvidos em parceria com escolas e/ou universidades públicas, com a finalidade de preservar e fomentar a cultura oral nacional existente, para o fortalecimento da identidade e ancestralidade dos estudantes brasileiros. Mais: www.cultura.gov.br

30/07/2008

39- FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

Regina Vater. Nós. 1961


Arte e Metafísica:
entre o dizível e o indizível

Por Sanzia Pinheiro, Jean sartief e Afonso Martins


Expandir territórios de saberes e áreas de conhecimento é algo cada vez mais comum em um mundo marcado pelo desenvolvimento das novas tecnologias e complexificação da sociedade. Esse foi o exercício realizado durante o Simpósio de Arte e Metafísica, realizado de 21 a 25 de julho em Aracaju/SE. Sob a coordenação do Professor Cícero Cunha Bezerra, o evento envolveu estudantes de artes e filosofia, artistas, professores, pesquisadores e o público em geral.


A artista Regina Vater instigou à reflexão a partir da metafísica contida em suas obras que são verdadeiras metáforas visuais que colocam em cheque nossa visão de mundo. Manipulando símbolos arquetípicos que vão desde da cultura afro brasileira, as raízes indígenas das Américas até à ícones do Ocidente como John Cage ou mesmo fazendo referência aos grandes gênios da arte como Marcel Duchamp. Na elaboração de sua poética, realiza comentários que põe questões que abordam, de modo profundo, a política, a ética e principalmente a religiosidade.


As obras de Lundberg, joga com a realidade a partir de elementos da Filosofia Budista. Sua arte está no limite entre objetos reais e imagens projetadas. Dessa maneira o artista, longe do naturalismo, atinge de maneira enfática, o mundo invisível, que construímos na nossa interioridade, ao mesmo tempo em que amplia o campo visual do espectador questionando o modelo mental reducionista “Concordo-Discordo”. O jogo que Lundberg propõe é uma bricolagem que ao provocar questionamentos no espectador do tipo “aquilo que vejo é real” lança a verdade dos limites que nos definem como humanos.


Bill Lundberg e Regina Vater realizaram oficina de vídeo, cuja preocupação foi a desconstrução da visão de mundo linear, pela via do estranhamento. Os vídeos apresentados se estruturam segundo a linguagem cinematográfica herdeira de Dizga Vertov. Os vários fractais visuais são conectados segundo, como diria Peirce, à observação colateral de cada um, ou seja, às relações que o espectador é capaz de estabelecer, fugindo assim, da narrativa comumente encontrada na produção videográfica que, em sua maioria, está dada no roteiro.


A associação dos artistas plásticos sergipanos participou do diálogo através de uma coletiva de Artes Visuais exposta no espaço Cultural e Artístico (CULTART). Sanzia Pinheiro, escritora dessa coluna, teceu comentários sobre a potencialidade de sensibilização da arte e a possibilidade dessa ser eixo aglutinador das atividades curriculares escolares. Os estudantes não levantaram apenas questões na condição de público, mas participaram da mesa redonda intitulada Arte e Sacralidade. Vanessa Lacerda, Tiago do Rosário e Ana Mércia, alunos da Graduação em Filosofia da UFS, expuseram as relações entre mística medieval e estética negativa nas obras de Kandinsky, Rothko e Dionísio Pseudo Areopagita.


A mesa redonda Arte, Linguagem e conhecimento, compostas pelos professores Cícero Bezerra, Eduardo Gomes e Alexandre Meyer, professores do Departamento de Filosofia da UFS, problematizou a arte como linguagem, a arte como campo específico frente ao conhecimento e seus limites epistemológicos e a arte como acesso ao invisível, transcendendo os limites da racionalidade.


Talvez possamos afirmar aqui que, o Simpósio Arte e Metafísica, contribuiu, nesse tempo de cegueira causado pelo excesso de luz, ao expor a treva, o negro, com um campo fértil à criação, a imaginação. Mais que isso, pensar uma experiência mística em conexão com o desenvolvimento técnico-racional que nos circunda, pela via da arte e da filosofia, é um modo interessante de reintegração do espírito humano a ordem cósmica e ao restabelecimento de sua inteireza.


CURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtas

Edital - Mostras de Foto - galerias Lunara e dos Arcos - Porto Alegre/RS - 2009A Galeria dos Arcos e a Galeria Lunara (RS), recebem inscrições de 25/08/08 a 12/09/08 de exposições fotográficas em 2009. Mais www.portoalegre.rs.gov.br/cultura
...

As inscrições para o Prêmio Vivaleitura 2008 foram prorrogadas até o dia 25 de julho. A premiação - que visa destacar projetos que incentivam e desenvolvam a leitura entre crianças, jovens e adultos - vai distribuir cerca de R$ 90 mil aos vencedores. Estão abertas até 31 de julho as inscrições ao Concurso Sílvio Romero de Monografias sobre Folclore e Cultura Popular edição 2008. Mais http://www.cultura.gov.br/

...

Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural para viagens do O Ministério da Cultura. O Programa destina-se a artistas, técnicos e estudiosos da área cultural, convidados a participar de eventos fora do seu local de residência, no Brasil e no exterior, para apresentar trabalho próprio, fazer residência artística ou curso de capacitação de profissionais da cultura. Mais http://www.cultura.gov.br/

25/07/2008

38- FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA


APIC – ARTISTA PATROCINANDO INSTITUIÇÕES CULTURAIS!

Por Jean Sartief , Sanzia Pinheiro e Afonso Martins


Desde 2001, está em circulação no Brasil, uma das mais bem humoradas e críticas ações em favor dos artistas e contra as imposições mercadológicas dos editais de arte. Trata-se de um logotipo que traduz uma sigla denominada APIC – ARTISTAS PATROCINANDO INSTITUIÇÕES CULTURAIS.

A proposta, apesar de irônica, é série e vem sendo adotada pelos artistas que se deparam com a realidade dos problemas decorrentes das exposições propostas por instituições públicas. Normalmente é comum o próprio artista ser o responsável pelo transporte, seguro, impressão, elaboração de catálogos ou convites, coquetel e até mesmo doação de obras para os proprietários das galerias e espaços expositivos como forma de pagamento de uso do espaço. Quem já não passou por isso em Natal?

A APIC traz a discussão não somente sobre quem deve recair todos os custos de uma exposição proposto por uma instituição como também sobre o valor financeiro sobre o conhecimento artístico e intelectual expresso na obra exposta publicamente. A legenda foi criada por dois artistas brasileiros, Maria Lucia Cattani e Nick Rands, residentes em Porto Alegre e com considerável currículo em enfrentar problemas e desafios com exposições no Brasil e na Inglaterra.

No País de Gales, os artistas há muito lutam por seus direitos e após várias campanhas de organizações que representam legalmente os artistas como a Artist’s Union e a National Artists Association, a situação mostrou-se modificada. Hoje, é realizado um contrato padrão entre o artista e o local do evento, seja galeria, museus etc, onde os custos de transporte de obras, seguro, fotografias e publicações são cobertos pelo espaço expositor, e indica uma taxa conhecida como Direito de Pagamento de Exposição, que gira em torno de R$ 1.500, paga ao artista conferindo o reconhecimento pelos serviços intelectuais/artísticos derivados do ato de expor numa instituição pública para uma comunidade inteira.


Ora, é fácil reconhecer a relação existente, na maioria das profissões entre o conhecimento intelectual e a remuneração. Paga-se um advogado pelos seus serviços, paga-se a um dentista pelo seu conhecimento e ação, paga-se a um palestrante pelo renomado saber e por que motivo não pagar a um artista que estudou por anos, capacitou-se, investiu em materiais realizando experimentações e pesquisas, participando de cursos, palestras, oficinas, viagens, livros para exercer sua atividade com propriedade. Por que só pagar pela obra, quando muitos não a contraem financeiramente, mas a adquirem como conhecimento visual que será incorporada a experiência de vida.

Muitos artistas iniciantes participam com euforia de exposições em espaços públicos como forma de começo de construção da carreira, do nome e assim submetem-se às circunstâncias exigidas; contudo com uma certa experiência reluta em participar de exposições em espaços públicos devido aos custos e à falta de respeito ao seu trabalho – levando em consideração que muitas destas instituições não possuem profissionais aptos ao manuseio, tratamento, acondicionamento das obras, climatização, investimento em arte educação e não ressarci o artista em caso de dano a obra.


O uso do logotipo da APIC é um meio de modificar essa realidade através de cada um que trabalha com artes visuais. Ao usá-la o artista indica que muito dos custos de envio, tratamento, seguro (quando existe!), divulgação são pagos pelo próprio artista, que não recebeu pelo seu trabalho.


CURTAScurtas CURTAScurtasCURTAScurtas CURTAScurtas



15º Salão da Bahia - 2008 com inscrições de 21/07/08 a 29/08/08. A ficha de inscrição e o regulamento estarão disponíveis no site www.mam.ba.gov.br a partir de 21/07/08. Mais: salao@mam.ba.gov.br e http://www.mam.ba.gov.br/

....


Caixa Cultural recebe propostas para programação de 2009. Os interessados em participar da programação de 2009 dos espaços da Caixa Cultural em Brasília (DF), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP) podem enviar propostas entre 21/07/08 e 05/09/08. Mais: www.caixa.gov.br/caixacultural, na seção patrocínio. Tel. 0800-704-5068.

...


Bolsa Iberê Camargo 2008Programa de residências no Blanton Museum of Art/ The University of Texas at Austin, nos Estados Unidos, e Maus Hábitos / Espaço de Intervenção Cultural, no Porto, em Portugal). Inscrições até 18 de julho de 2008. Mais informações: cultural@iberecamargo.org.br http://www.iberecamargo.org.br/

15/07/2008

37- FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

PARA PENSAR E AGIR...

Por Jean Sartief, Sanzia Pinheiro e Afonso Martins
JOSEPH BEUYS, Como se explicam quadros a uma lebre morta. Ação /1965, Alemanha.

Tecnicamente os salões de arte inseridos dentro do circuito mercadológico institucional, ou seja, aqueles editais que são vinculados a alguma instituição pública ou privada (em geral bancos) criam normas técnicas e diretrizes para nortear os artistas quanto ao processo técnico de envio de projetos para seleção e posteriormente, aos selecionados, o envio das obras.

Tais editais dão diretrizes, mas também esclarecem os direitos e deveres de ambas as partes no processo que decorre ao salão, que são uma estratégia de atuação para divulgação institucional, pública ou privada, da política cultural defendida e que, assim, dentro de suas especificidades, procura abrir uma nova paisagem, mapear novas geografias artísticas, imaginar outras formas de atuação e, ao mesmo tempo, desenvolver críticas e processos curatoriais de práticas e descobertas de novos artistas.

A própria conceituação de descoberta de novos artistas parece um pouco fraca quando entendemos que o artista se faz ao longo do percurso e essa descoberta só desperta o olhar para uma promissora carreira que pode seguir, ou não, a contento.

Esses novos artistas, muitas vezes, não encontram ecos de sua produção dentro dos chamados editais, uma vez que estes se limitam a práticas consensualmente aceitas. No circuito tradicional, não há um edital sequer que invista em novas práticas. Parece que um copia o outro e esquecem-se de inovar, de olhar para suas amplitudes e suas regionalidades, e até mesmo, possibilitar confluências que o desliguem dos demais.

Acerca dos direitos e deveres, um abismo freqüentemente se forma. A prática de remuneração de todos os selecionados nem sempre é comum, o feito em regra comum é destinado aos premiados, e de um modo geral ainda insuficiente para o artista, que a utiliza como uma ajuda de custo na produção de seu trabalho, levando em consideração que os custos como transporte, devolução, seguro nunca estão inclusos. Se acontece algum dano, provavelmente, o artista deve ter assinado na ficha de inscrição o termo que concordava com os requisitos de tal edital, que incluía a não responsabilidade por perdas, danos, extravios ou quaisquer outros adultérios a obra. Isso sem falar da prática de adiar os períodos de inscrições várias vezes, sem comunicar ao público as novas datas de seleção e os tais critérios que levaram às modificações e o atraso na produção dos catálogos, quando se exige dos artistas o envio de fotos antecipadamente e com prazos curtíssimos.

Ainda presos dentro das convenções formais, os editais carecem de uma atualização e diálogo com os artistas, uma vez que, geralmente os próprios processos curatoriais são questionados. Os artistas são os únicos capazes de romper tais regras e desafiar tais tradições perpetuadas, já que são os mais comprometidos com o trabalho, quando os organizadores são comprometidos com a instituição.

Em 2005, o artista Bruno Vieira, de Pernambuco, passou pelo constrangimento de ver seu nome selecionado para a premiação em um Salão em Goiás! E depois recebeu a notícia da organização que tudo não passou de um engano. Segunda curta divulgada no Mapa das Artes, a 14ª edição do Salão de Arte Contemporânea de Campinas (SP), promovido pela prefeitura local por meio do Museu de Arte Contemporânea da cidade, retomado depois de 19 anos, não pagou nem os artistas premiados nem os membros da comissão julgadora. O evento ocorreu entre o final de 2007 e o início de 2008.

Por essas e outras os artistas precisam de fortalecimento enquanto conjunto representativo. Somente esse engajamento faz com que as instituições revejam sua postura e se firmem não só como espaço expositivo, mas meio de preservação, difusão, troca de conhecimento e incentivo a produção, dentro de prerrogativas favoráveis aos próprios artistas.

CURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAS
O artista Daniel Murgel, está comprando obras de arte para apresentá-las em um evento-performance na galeria paulistana Vermelho. O trabalho é o “Leilão dos Piores Trabalhos de Arte Contemporânea”, pagará de R$ 0,10 a R$ 1,00 por cada obra. Mais: http://www.galeriavermelho.com.br/
...

OIDARADIO é uma estação de rádio, um espaço expositivo expandido em que artistas, curadores e músicos experimentais poderão desenvolver uma grande variedade de projetos exclusivamente sonoros. Para ouvir: http://oidaradio.org/exposicao.php
...
Bienal do Mercosul (Porto Alegre/RS) definiu curadoria-geral para a 7ª ediçãoA curadoria-geral será da argentina Victoria Noorthoorn e do chileno Camilo Yáñez. Eles, que estarão em Porto Alegre em 03/07/08, propõem um conceito de bienal que determina uma participação efetiva dos artistas. Mais: http://www.bienalmercosul.art.br/