27/02/2008

17 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

VINCENT POTIGUAR

Excepcionalmente, em homenagem ao artista plástico Thomé, a coluna dessa semana do Fermentações Visuais é um depoimento escrito por Flávio Freitas, pintor e amigo de Thomé.

Thomé. Foto Iano Andrade. 2001

Quinta-feira a tarde recebo uma chamada no celular, minha mulher avisa que soube no trabalho que Thomé havia cometido suicídio com um tiro de revólver. O choque da notícia me provocou dúvida e confusão. O artista e ser humano Thomé que conheci não encaixava neste evento funesto. Pouco depois lembrei de nosso último encontro no festival do camarão na Ribeira em que nos cumprimentamos e ele me pareceu menos expansivo e alegre como eu o conheci.


Só acalmei minha revolta conversando sobre Thomé, com um grande amigo e ele me alertou: “A mente humana possui poças de areia movediça de onde nem sempre é possível escapar-mos.”


Conheci a pintura de Thomé através de minha avó Hermengarda (O’Grady de Paiva Ferreira de Souza), pintora e decoradora, que o considerava entre os três grandes pintores de Natal na década de 70: Newton Navarro, Dorian Gray e Thomé. Muitos anos depois, em meu ateliê da Av. Afonso Pena tive o prazer de conhece-lo pessoalmente em uma visita cordial. Admirador de sua pintura fiquei logo fã da pessoa de Thomé. Pela simplicidade, alegria, amizade e humildade. Impressionou-me a sua disposição em aprender comigo e meus dois ajudantes a técnica da serigrafia sobre papel. Criou um projeto de dez ou doze paisagens e logo começou a trabalhar. Intensamente, como um artista apaixonado, dedicou muitas horas em meu ateliê aperfeiçoando, afinando e adequando as técnicas da serigrafia ao resultado que pretendia. Sua risada marcante, espírito brincalhão enchia meu lugar de trabalho de alegria. Suas observações sobre cores e contrastes, as constantes alterações das matrizes, me contagiava de amor pela arte de pintar.


Em pouco tempo ele já dominava o processo completo e levou um de meus ajudantes para imprimir resto da coleção em seu ateliê. O resultado foi apresentado numa grande exposição no Palácio Potengi (Pinacoteca do RN). Serigrafias de altíssimo nível, com um grande público e sucesso de vendas. Embora ele tenha optado por papel e tintas mais baratos, coerente com seu desejo de produzir arte mais acessível, o resultado artístico da coleção de serigrafias é um marco na historia da pintura em nosso estado.


Thomé me contou que havia feito um esforço em sua carreira de pintor, e nisso foi precursor, para produzir pinturas mais baratas e ampliar no público potiguar o gosto pelas obras de arte originais, num tempo em que a moda era decorar as paredes com posters e gravuras dos grandes mestres da história da arte. Seu trabalho com a gravura em serigrafia de tiragem limitada sintonizava com o desejo de alcançar mais gente com uma obra mais barata e menos massificada.


Me impressionou fortemente como ele solucionou a gravura do Morro do Careca na luz do amanhecer. Uma composição de cor complexa e somente possível para os graduados na arte de pintar. Encantei-me também com as pinceladas livres e qualidade abstrata da gravura do parque das dunas.

Convivendo com Thomé aprendi muito e descobri que ele foi até hoje o único potiguar (morando aqui) a participar da Bienal de São Paulo, o evento de artes visuais mais importante da América Latina. Identificamos histórias em comum como o fato de termos vivido nos Estados Unidos na mesma fase da vida, o amor pelo Rio Grande do Norte e suas paisagens e às cores como linguagem para se comunicar com o mundo.

Depois desse convívio, em que eu procurava manter sempre umas três latas de cerveja na geladeira para oferecer ao mestre Thomé, ele foi deixando as visitas eventuais. E depois me disse que estava se dedicando a sua fazenda aonde montava um Hotel Fazenda. Fiquei triste em perceber seu desinteresse pela pintura, mas cada um sabe aonde quer gastar suas energias. Prometeu me convidar para uma dia de pintura na fazenda mas nunca aconteceu. Com minha mudança para a Ribeira, nunca mais recebi sua visita amiga.

No dia seguinte da sua morte, abro um dos maiores jornais do RN e vejo apenas uma foto do artista e um pequeno e medíocre texto sobre sua morte, no caderno da cidade. Nenhuma foto de suas obras, nenhuma referência a importância de sua pintura. No caderno de Cultura......nada. Só assuntos de relevância menor em relação ao artista Thomé. Nenhuma referência ao fato de Thomé ter sido mestre, guru e padrinho da minha geração de artistas neste Rio Grande. É estarrecedor o desprestígio das artes visuais em nossa a cidade. Há razões históricas e de outras naturezas para este estado de atraso, mas eu esperava mais, mesmo assim.

Nesta semana triste interrompi a leitura, dias antes da morte de Thomé, do livro “As Mulheres de Van Gogh”. Fiquei incomodado com o esmiuçamento da vida íntima do gênio da pintura, a quem tanto admiro. A genialidade de Vincent, como queria ser chamado, não tem nenhuma ligação com suas dificuldades mentais. Parei de ler o livro porque não tenho necessidade de compreender suas fraquezas e dificuldades emocionais para reconhecer a grandeza do seu legado para a humanidade. E o livro gira em torno do ato final de Van Gogh, o estampido seco do tiro de revólver contra seu próprio corpo.

Assim, com o mesmo exato gesto, Thomé Filgueira, artista, amante dos cavalos, dos animais, das mulheres, do Rio Potengi e das paisagens do vale do Ceará-Mirim, deixa esta vida... em que ficamos. Deus nosso pai, o acolha e abençoe seus familiares e amigos.

Natal, 18 de fevereiro de 2008
Flávio Freitas


PUBLICADO EM 26 DE FEVEREIRO DE 2008

19/02/2008

16 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

A ARTE CONTEMPORÂNEA É INTEGRADORA
Por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


Monalisa Graffiti, versão radical L.H.O.O.Q. Bristol Reino Unido



No livro Poéticas do Processo – Arte conceitual nos Museus, Cristina Freire comenta que "Falar da história da arte contemporânea é atualizar um paradoxo. Como ser "história" e "contemporaneidade" a um só tempo?".


A arte contemporânea não segrega, omite ou ignora a história, ela a integra e a constrói. É uma reflexão de nosso tempo, de nossas linguagens e conceitos que perfazem um percurso do cotidiano, engloba um olhar sobre o passado e se lança ao futuro abarcando experimentações e privilegiando possibilidades congregatórias em diversos campos além de criar panoramas múltiplos trazendo novos questionamentos a tudo o que vivemos.


Essa possibilidade intensa é uma das fermentações mais vivas que temos. Não existira a arte contemporânea sem todas as escolas anteriores. As proposições, a atitude crítica, os novos materiais, as experimentações estão presentes em toda a história da arte, entretanto é na arte contemporânea que os dogmas caem. Ela cria e se recria sem atitudes colidentes mas trazendo à tona os questionamentos atuais e não somente a plasticidade artística.


A construção, numa obra de arte, diz respeito a sua lógica interna, e não a dos conceitos ou a lógica aristotélica, com premissas e conclusão. Trata-se, de uma racionalidade intrínseca ao processo de unificação de todos os elementos da obra. Ou seja, os elementos, a relação entre eles e a organização são constitutivos de um DIScurso, possuidor de uma lógica que faz referência ao mundo.


Arte é conhecimento tanto para o artista que cria, como para o apreciador. O artista que lança uma nova proposição como quem lança, a cada estação, uma coleção de moda perde-se em seu próprio turbilhão de idéias. É preciso maturar, aquecer as próprias perspectivas de um trabalho que se construa numa trajetória, em um amadurecimento.


Os artistas contemporâneos devem investir na pesquisa de materiais, de conhecimentos/saberes e de linguagens construindo seu percurso crítico e possibilitando novas formas de expressão que abrangem amplas possibilidades de experimentações e esse processo também delineia a história que escrevemos.
Publicado em 19 de fevereiro de 2008

15/02/2008

15 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

CATIVEIRO VELADO
Por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


Obra Cor, 2006 - Acrílico dentro de caixa recortada. Obra Rubens Gerchman Foto: Maurício Lima

http://www.rubensgerchman.com.br/

A arte é o exercício da liberdade “. As palavras do crítico e militante Mário Pedrosa produziram uma das mais belas reflexões sobre o fazer artístico e de todo o conceito incluso na história da arte como também sobre a sociedade e suas ramificações.

A frase gera uma análise do sistema no qual estamos imersos e dominados sem a menor resistência crítica. O conhecimento deixou de ser um embasamento enraizado na formação do indivíduo para dar espaço a um conceito de informações fragmentadas, vazias, sem atividade intelectual, artística e cultural de bom conteúdo, ofertado a uma população enganada na mais absoluta farsa política.

A arte é ainda um dos poucos pólos de resitência e formação crítica que temos. Vivemos imersos na complexidade relativizada do consumo e da cultura de massa de embuste produzido pela mídia, e oferecida como uma linguagem acessível – na verdade – muito mais popularesca do acessível – que visa tão somente à cruel dominação do poder do dinheiro em nome de tudo o que pode ser tradição ou vanguarda legítimas.

Ao cidadão não cabe nem mesmo o questionamento do aplauso dado ao medíocre, às produções criadas unicamente com o intuito de ganhar dinheiro. Aplaudir é banal. Isso já foi dito.
O aplauso não é mais reverência – é troco de uma moeda cunhada na aparência e no oco dos sentidos.

As cidades se perdem. A memória arquitetônica e histórica é destituída em nome de um letreiro gigantesco, de prédios milionários ou de divisórias que transformam um patrimônio cultural e artístico como mais uma sede do poder, mas sempre em nome da “democracia”. Perdemos a nossa história.

O consumo alienado desvirtuou a inteligência. Pensamos na lógica dos parcelamentos dos cartões de crédito. Ignoramos a formação dos filhos em troca da “modernidade” de transformar uma criança numa miss, modelo, manequim e apresentadora de tv, como bem retratou o filme Pequena Miss Sunshine, numa das mais contundentes críticas a nossa sociedade.

Vivemos uma prostituição velada na qual crianças são induzidas a acreditar no fantasioso preço da fama e do dinheiro. A arte ainda resiste, embora sofra os mesmos atentados. Políticas culturais tacanhas e leis de incentivo que não alimentam – no mais puro sentido da vitalidade – ganham espaço.

Se não praticarmos a revolução do pensamento abrindo mão de uma sociedade sem tanta opressão, violência política e armada – numa indústria de segurança que cresce tanto ou mais que a própria indústria bélica, seremos eternamente reféns da alienação e vamos seguir preferindo ver um Big Brother Brasil a ir a uma exposição de arte.

Quando as políticas públicas se travestem nos discursos vazios que preenchem televisão na campanha de obras visíveis ao invés de agir participativamente nas propostas de ações sociais, urbanas, artísticas ou em qualquer campo gerador de uma liberdade melhor, e de investir na tríade básica da educação, saúde e cultura, temos a certeza de que nada mudará.

Mário Pedrosa defendia que a arte e a política são as duas formas mais elevadas da expressão humana e a única postura diante delas é a do engajamento militante e crítico. Algo se perdeu nesse caminho.
Hoje fazemos coro à atriz Marília Pêra em relação a maior lição que tinha aprendido com as ideologias políticas: “Tanto faz o lado em que os políticos estão. O que eles querem apenas é poder e dinheiro. O resto não passa de utopia.”


PUBLICADO EM 12 DE FEVEREIRO DE 2008

30/01/2008

14 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

SALVEMOS A PINACOTECA DO RN!
por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


Pinacoteca, seus dias estarão contados???? Foto: Jean Sartief

Em maio de 1968 aconteceu, na França, a famosa “revolução romântica” que desencadeou uma contestação global em meio a efervescência sociocultural que o mundo vivia após a Segunda Guerra. Estudantes tomaram conta de Paris em um movimento que causou estardalhaço ao sistema opressor e limitante existente. Exigia-se coerência, liberdade e democracia incorporando ao movimento a arte e a poesia. Os museus foram um dos alvos de contestação dessa revolução e gerou uma mudança no posicionamento e ação com o público.


Em seu livro, Entre Cenografias – O museu e a exposição de arte no século XX, a professora de arte da USP, Lisbeth Rebollo Gonçalves, analisa que a partir desse momento histórico, os museus como instituições intocadas são colocadas em questionamento, num desejo profundo de arejamento, simbolizando uma concepção de museu aberto como instrumento de difusão e comunicação em ligação direta com a vida urbana.


Passados 40 anos e uma série de outras manifestações, e novas conceituações dos museus, encontramos nas terras potiguares a básica luta pela defesa de uma instituição como a Pinacoteca, no Palácio da Cultura, quando deveríamos estar batalhando pela sua melhoria crescente, pela ampliação do acervo, pelo treinamento adequado aos funcionários e contratação de profissionais competentes para administrá-la ao invés de termos que juntar esforços para conscientizar o poder público da necessidade de manutenção desse ícone de nossa identidade cultural.


A Pinacoteca do RN como outros museus sobrevivem ameaçados de extinção. Os museus de arte pelo mundo todo investem em atrativos e se constituem em equipamento educacional. A Pinacoteca, prédio neoclássico, que abriga a história das artes visuais do RN, o maior e talvez melhor acervo do Estado encontra-se ameaçada. Investir no Museu Pinacoteca valoriza o potiguar, que passa a conhecer mais da sua história. São inúmeras as experiências na qual há um empenho real para se documentar, agregar e formular uma logística que dê movimento ao arsenal cognitivo e cultural.


O Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, com projeto de Marcelo Dantas, apresenta informações textuais e visuais da língua portuguesa em suportes lúdicos, usando e abusando dos recursos como o vídeo e a fotografia. Contam ainda com a presença de bons monitores e de uma exposição do acervo que muda a cada dois ou três meses. A proposta de transformar o prédio da Pinacoteca em estrutura política é uma visão típica dos políticos do RN que não enxergam uma a arte como a alta expressão de um povo e não somente como estratégia política.


Vamos nos questionar por que existe tantos editais para museus no site do MINC? Por que há um movimento mundial de criação e não de fechamento de museus? Como exemplo, Pirâmide do Louvre, Paris/1989, o Museu de Arte Moderna de Frankfurt, Alemanha/1990, o Grand Pallais de Lille, França/1994; Museu de Arte Contemporânea de Bilbao, Espanha e o Tate Gallery of Modern Art, Londres, ambos de 2000 e aqui lutamos para manter viva a nossa Pinacoteca com seu acervo precioso (em péssimo estado de acondicionamento, com obras de Leopoldo Nelson, literalmente se desfazendo). Ainda não acordamos para a contemporaneidade. Ainda somos uma fazenda iluminada ao invés de iluminarmos e valorizarmos a nossa arte e nossos artistas.


Segundo Aracy Amaral, Leonor Amarante, ÍBIS Hernandez e outros curadores que aqui estiveram, o prédio da Pinacoteca é próprio para tal. Possui um pé direito capaz de abrigar grandes exposições. Não há outro no Estado! Temos a essência, a vontade de liberdade e luta pela arte!

EM 29 DE JANEIRO DE 2008

26/01/2008

13 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

PARA QUE SERVE A ARTE? - por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Marcelo Gandhi

Obra de Sayonara Pinheiro


Estamos na primeira década do século XXI e as artes visuais do RN carecem de desenvolvimento. Não é devido à ausência de artistas antenados com a produção atual. Tivemos Zé Frota e Nuno Rama contemplados com o Prêmio Porto Seguro – um dos melhores em fotografia no Brasil. Marcelo Gandhi mapeado pelo Itaú Cultural. Guaraci Gabriel e Sayonara Pinheiro participando de bienais internacionais. João Vianei integrando a Quienal de gravura.


No final da década de 70, Jota Medeiros, transformou o suplemento cultural Contexto, do jornal A República, num veículo das mais diferentes tendências da arte e da literatura que se praticava no mundo. Esse artista integra o acervo do MAC/USP e está no livro Poéticas do Processo, de Cristina Freire, além do Poema Processo. Isso sem falar em inúmeros outros artistas premiados pelo Brasil.


O nosso maior problema tem sido as instituições, o pensamento limitado existente por muitos dos que administram e trabalham sem treinamento adequado, e burocracias ininitas. Temos um salão que tem o mérito de 11 anos de existência e que até agora deu passos tímidos dentro de um formato tradicional que pouco fomenta a produção.


O curso de artes visuais da UFRN não aposta na formação de artistas e sim, de professores. Você pode encontrar na página do site da coordenação do curso, notícias do Supremo Tribunal Federal, eventos jurídicos e link para a base “Lógica, Conhecimento e Ética”, nada contra! Até gostamos de lógica, mas sobre artes visuais!


Os espaços expositivos disponíveis, em sua maioria, não possuem um projeto administrativo, voltado para o fomento nem profissionais treinados. No máximo têm-se um edital. A Pinacoteca do Estado corre o risco de ser desapropriada, pelo próprio governo, após centenas de exposições, salões e mostras no Palácio da Cultura. O acervo dessa instituição possui em torno de 800 obras sem acondicionamento. Para que serve a arte no RN?


Na história da humanidade aquilo que reconhecemos como artes visuais têm desempenhado um papel fundamental. A partir do renascimento, os artistas passaram a produzir uma arte que vai além da decoração. As pinturas, painéis e esculturas são, assumidamente, expressões de pensamentos. Produção de conhecimento! Os artistas estavam na categoria intelligentsia, ao lado de cientistas, filósofos e poetas e assumiam a construção de um novo mundo. A perspectiva nas telas retoma as questões dos filósofos gregos e conduzem a uma retomada do humano e da racionalidade.


No início do século XX, as artes visuais dão visibilidade a desintegração do mundo e a ausência da ordem proclamada pela ciência newtoncartesiana. Na virada da 2ª metade do séc. XX, os artistas participam da ressurreição do cosmos, e fazem uma arte desmaterializada, comprometida com a vida. Lygia Clark, Joseph Beuys, Marcel Duchamp, Hélio Oiticica, Robert Rauschenberg, entre outros, passam a produzir uma arte capaz de provocar o desenvolvimento humano.


E essa é a questão aqui! Arte como desenvolvimento da capacidade criativa. Arte como meio para a reorganização do pensamento a partir de uma lógica que admite a contradição, o terceiro, as ambivalências, a liberdade e o inacabado. Pois são esses alguns termos da dinâmica do agora. Uma das características da arte contemporânea é o hibridismo, exigindo do observador o exercício do pensamento relacional tão caro a criação. Agora, para que serve a arte no RN?


EM 22 DE JANEIRO DE 2008

12 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

DA ADVERSIDADE VIVEMOS! - por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Marcelo Gandhi

cartaz da mostra Nova Objetividade Brasileira.


Hoje, trazemos um resumo de um texto histórico de Hélio Oiticica, publicado no catálogo da mostra Nova Objetividade Brasileira, em 1967, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O artista aponta a antropofagia (1928), como decisiva para a chegada (em 1960) da Nova Objetividade. Sugerimos a leitura do texto, na integra, (via internet) como mais um grão energético no desenvolvimento da artes visuais do RN.


Os 6 pontos apresentados por Oiticica, geram a reflexão de o quanto as nossas instituições estão aquém do processo brasileiro, pois são atualíssimas, então vejamos:


1- Vontade construtiva geral. Somos um povo à procura de uma caracterização cultural e isso nos diferencia do europeu (peso cultural milenar) e do americano (solicitações super-produtivas). A Antropofagia seria a defesa contra tal domínio exterior, e a principal arma criativa; o que não impediu, uma espécie de colonialismo cultural, que deseja-se ver abolido. Aqui o convite é para o mergulho na nossa cultura. Uma pesquisa aos modus cascudiano. Um microscópio num olho e o telescópio no outro.


2- Tendência para o objeto, ao ser negado e superado o quadro de cavalete. O fenômeno do fim do quadro de cavalete, e surgimento oposto da criação de relevos, antiquadros, até as estruturas espaciais ou ambientais e a formação de objetos, numa linha continua, até a eclosão atual. Oiticica analisa a transformação dialética vivida por Lygia Clark, Antônio Dias, o grupo do Realismo Mágico de Wesley Duke Lee e Waldemar Cordeiro (e outros) que com o Popcreto trazem o conceito de 'apropriação'.


3- Participação do espectador (corporal, táctil, visual, semântica etc.). Há 2 formas de participação: uma envolve "manipulação" ou "ação sensorial-corporal" e a outra, uma "participação semântica". Estas buscam uma totalidade, envolvendo os dois processos; isto é, não se caem no puro mecanismo de participar, mas concentram-se em significados novos, distinguindo-se da pura contemplação.


4- Abordagem e posicionamento em relação a problemas políticos, sociais e éticos. Cabe aoartista procurar o pleno envolvimento; erguer alicerces de uma totalidade cultural operando mudanças na consciência do homem, que de espectador passivo dos acontecimentos passa a agir sobre eles usando os meios que lhe afloram: a revolta, o protesto, o trabalho construtivo para atingir essa transformação etc. O artista torna-se modificador também de consciências (no sentido amplo, coletivo).


5- Tendência para proposições coletivas e abolição dos "ismos", típicos da primeira metade do século XX, (que pode ser englobada no conceito de "arte-pós-moderna", de Mario Pedrosa). Há 2 maneiras de propor uma arte coletiva: a primeira, seria a de jogar produções individuais em contato com o público das ruas (claro que produções que se destinem a tal, e não produções convencionais aplicadas desse modo) – outra, a de propor atividades criativas a esse público na própria criação da obra. A arte coletiva está ligada intimamente ao problema da participação do espectador.


6- Ressurgimento e novas formulações do conceito de antiarte. O problema poderia ser enfrentadocom a pergunta: Para quem o artista faz a sua obra? Vê-se, pois, que sente esse artista uma necessidade maior, não só de criar, mas de comunicar algo que lhe é fundamental. Uma comunicação em grande escala e não para uma elite reduzida a experts, mas até contra ela, com a criação de obras não acabadas, "abertas”, como ponto fundamental no conceito de antiarte.


Oiticica finaliza com uma frase que acredita representar o espírito da "nova objetividade" (síntese de todos esses pontos). Ei-la: DA ADVERSIDADE VIVEMOS!


EM 15 DE JANEIRO DE 2008

11 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA


TODOS NÓS PODEMOS TER UMA OBRA DE ARTE! - por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


A aquisição de obras de arte é um dos processos mais interessantes que existe dentro de todo o sistema. Trata-se não somente de uma possibilidade comercial, mas uma atividade que garante trajetórias múltiplas. A obra já saiu unicamente do arcabouço de ter que dar vida a ambientes. Hoje, também pode ser percebida como um investimento financeiro levando-se em consideração que com a trajetória do artista e seu crescimento no mercado, a obra adquirirá um valor comercial maior, além de ser um reflexo de uma sociedade, de um tempo, de uma vivência maior no qual tanto você como o artista estão inseridos.

Uma outra vantagem é que não é preciso ter muito dinheiro ou conhecimento aprofundado para iniciar uma coleção de obras de arte. Você pode começar estudando a trajetória de um artista dentro de sua cidade e fora dela. Pode freqüentar as exposições e partir para a leitura de textos sobre arte local ou mesmo conversas com amigos que tenham um aprofundamento maior. Visitar sites especializados, ir a galerias e leilões, também ajuda na descoberta de bons artistas e obras. Se deseja estudar um pouco mais sobre a história da arte, aventure-se pelas páginas da Taschen, a maior editora de livros de arte do mundo, que trouxe ao mercado livros excelentes com preços competitivos.


Você também pode se aventurar em programas e exposições, existentes em várias cidades, que favorecem a compra parcelada e criam até mesmo um clube no qual se recebe obras como retorno do investimento associado. Como exemplo, há o Clube de Colecionadores de Fotografia e o de Colecionadores de Gravura, ambos do Museu de Arte Moderna, MAM, de São Paulo.
Muitas vezes com o dinheiro empregado em obras vendidas em corredores de supermercados, shoppings e feiras de artesanato, poder-se-ia estar adquirindo obras com qualidade expressiva dentro do circuito artístico, ou seja, trabalhos bem desenvolvidos por artistas que têm uma trajetória, uma pesquisa e um trabalho mais consolidado.


Esqueça aquela antiga mania de combinar obra com sofá! Isso é cafonérrimo em todos os sentidos! Isso é uma perda de tempo e de dinheiro. Quando se adquire uma obra de um artista com trabalho expressivo você adquire uma obra que tem um valor especial além de seu próprio valor de compra/venda. Fará parte da sua história pessoal e identificação com o artista ou do momento único vivenciado.


A inexistência de um mercado de arte consolidado em uma cidade também transmite uma idéia das relações culturais existentes. Um público que favorece a compra de obras dos artistas, sejam esculturas, pinturas, livros, música (CDs), fotografias, desenhos, gravuras etc estimula não somente o próprio mercado, como a carreira de um artista. Vale um questionamento de como Natal se situa nesse meio? Como você consome a arte produzida aqui?


Com uma atividade constante, o mercado aprimora-se, profissionaliza-se e oferece o melhor desde a própria concepção de uma exposição até mesmo à qualidade das obras ofertadas. O artista por sua vez, tem possibilidades reais de continuar a investir no seu trabalho, aprimorar suas pesquisas, realizar intercâmbios, enfim estudar e aprofundar-se dentro do circuito de arte e isso significa que a obra que está pendurada na sua parede também se valoriza.


Uma outra boa tacada é investir nos artistas novos que começam a destacar-se no meio. Muitas vezes as obras têm preços acessíveis e você evita a tentação de decorar sua casa, seu escritório com obras de gosto duvidoso ou de somente ter a velha guarda artística na sua parede. Além de tudo, os novos artistas representam a transformação, um novo olhar sobre a arte e o mundo. Não tenha medo de ousar um pouco mais na sua parede e quem sabe, em pouco tempo, você terá um acervo interessante e valioso para deleite próprio ou para matar de inveja qualquer um.


EM 08 DE JANEIRO DE 2008

10 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

AO POSICIONAMENTO CRÍTICO CRIATIVO - por Sânzia Pinheiro, Marcelo Gandhi e Jean Sartief

Poema Processo - Falves - 40 anos


Iniciamos o ano de 2008 com uma reflexão que se constitui no nosso desejo mais profundo para o desenvolvimento das artes visuais no Rio Grande do Norte. Para tanto trazemos o poema-processo. O que nos interessa nesse momento é a proposta, sua lógica, sua conexão maior porque, acima de tudo, ele tratou do posicionamento crítico criativo de uma geração que viveu conscientemente a transformação radical do cotidiano, das relações humanas e do espaço-tempo.


O movimento, que tem muito a ensinar aos jovens artistas contemporâneos, mergulha no vórtice provocado pelos anos 50 e 60, extinguindo-se em 1972, liderado por Wlademir Dias –Pino e lançado em Natal e no Rio de Janeiro simultaneamente.


O Brasil vivia um clima extremamente repressor ao mesmo tempo que incorporava ao seu cotidiano a máquina de xerox, a off-set, o mimeógrafo, o computador, a televisão (que ocupava um lugar na sala e passava a fazer parte da família) e a divulgação do uso de códigos não-verbais desenvolvendo a linguagem visual. Nesse período, em 1967, Ilya Prigogine, poeta da termodinâmica, traz ao mundo a teoria das Estruturas Dissipativas ou Teoria do Devir e defende uma metamorfose dos processos determinados para indeterminados; de reversíveis para irreversíveis.


É na direção desse espírito que os artista do movimento se vinculam. Entendem que a estrutura está em função do processo, subordinada a ele. É para a problemática do processo que se voltam. Rompem com a poesia tipográfica. Operam a cisão entre língua (palavra e estrutura) e linguagem (visualização do processo). Trata-se das possibilidades dos signos não-verbais.


Os poetas-processos questionavam o consentimento dos poetas discursivos em produzir sob a ação da censura e de utilizar procedimentos poéticos comprometidos e ultrapassados. Eles rompem com a palavra, mas não a negam, pois ao movimento interessa os novos códigos e os processos que são capazes de gerar. Poema/processo é aquele que, a cada nova experiência, inaugura procedimentos criativos. As informações podem ser estéticas ou não. Trata-se da luta histórica (dadaísmo, surrealismo, neoconcretismo...) do artista contra as estruturas fixas.


A realidade é a matriz que traz as possibilidades de evolução do processo e ocorre em todos os níveis, seja físico, químico, biológico, cultural ou semiótico. Inclui o desencadear dos objetos no tempo de consumo social. A obra deve instaurar novos meios de criação por relações mais amplas, como a teia da vida abre-se a cada instante e uma multidão de novos encadeamentos se realiza simultaneamente.


Não é o conteúdo da realidade que o poema/obra informa, mas o próprio processo dinâmico de atualização. Vê o leitor como um criador. Nega exclusividade ao poeta, lidando com a contradição entre a reprodutibilidade e criatividade: por um lado a reprodutibilidade é mantida; por outro, cada leitor ao explorar a proposta, cria suas próprias versões, instaurando novos caminhos. Todo poema deixaria aberta a possibilidade do leitor/observador criar a sua versão, manipulá-lo e interferi-lo.


Os muitos registros das obras desse movimento são projetos. Os teóricos compreendiam que o projeto liberava o artista das limitações materiais e permitia utilizar os meios técnicos disponíveis, dando ao artista o uso de várias áreas de conhecimento. Um antiindividualismo ao exigir trabalho coletivo, em que cada um mobiliza-se para fora dos limites de sua especialidade.


“"O importante é que sejam funcionais e, portanto, consumida. É preciso fundar possibilidades criativas" - essa afirmação de Moacy Cirne, sintetiza o compromisso e o objetivo desse movimento. Cremos que a melhor homenagem que podemos fazer é manter vivo o espírito dinâmico do poema processo e dessa forma, resultar numa produção da arte visual potiguar tão forte quanto a nossa própria história. Feliz 2008!


EM 01 DE JANEIRO DE 2008

9 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

DOS EDITAIS E OUTROS MEIOS - por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Marcelo Gandhi

Janelas. Fotografia digital. Jean Sartief. 2006

Pode-se dizer que nos últimos tempos os programas de incentivo e fomento a artes visuais tem se multiplicado. Algumas vezes estas propostas nascem de projetos institucionais de empresas privadas, noutras são de instituições públicas e há ainda as propostas independentes e os programas de ocupação de espaços expositivos, todos objetivando tanto intensificar o interesse do público como promover o desenvolvimento de artistas, revelar novos talentos e proporcionar o desenvolvimento de inúmeros segmentos artísticos.


O Brasil apesar de viver um momento em que a cultura abre-se para o mercado, ainda não possui programa em que seja possível a experimentação ou o desenvolvimento de um trabalho sólido que demande tempo, pesquisas e acompanhamento, algo a longo prazo... um dos ônus da contemporaneidade é o imediatismo.


Dentro desse sistema existe, na maioria das vezes, o lançamento de editais para concorrência de artistas, que serão avaliados segundo critérios – que nem sempre são compreensíveis, mas que funcionam (ou deveriam funcionar) como diretrizes para o processo seletivo. A grande questão é que esses referenciais não são explicitados. Dessa forma, muita gente boa fica do lado de fora sem saber por qual motivo, muito mais num processo excludente do que algo que promova o fomento. Às vezes fica a impressão de que se a porta fica fechada, a janela estará lacrada!


Para o artista, mesmo tateando diante desse pequeno universo, fica uma questão a saber: o que vale a pena e o que pode ser descartado? O edital é fundamental para isso, mas é importante avaliar a cronologia histórica do programa, verificar as exigências do regulamento, perceber como lidam com o conceito que norteia a proposta, a premiação, obras expostas anos anteriores, participantes e artistas premiados, além dos profissionais envolvidos, atentar à produção de materiais complementares como catálogos, material gráficos, vídeos etc. Enfim, estar atento se os interesses dessas instituições e os seus, como artista, se conjugam.


Algumas propostas se firmaram como diferenciais e norteadoras do cenário artístico brasileiro, uma delas é o Rumos Itaú Cultural. O Rumos é um programa que atua (desde 1997) em várias linhas artísticas, desde a dança, música, literatura, jornalismo cultural, artes visuais etc com a intenção de valorizar diversas expressões e principalmente, abarcar todas as regiões do país, com pesquisas aprofundadas e acompanhamento.


Ainda nesse contexto, há o prêmio CNI/SESI Marco Antônio Vilaça, que vem se solidificando no cenário artístico e contempla apenas 5 artistas brasileiros a cada edição bienal e também há o já estabelecido Prêmio Sérgio Motta. É importante estar atento a algumas instituições que vêm desenvolvendo programas consistentes de incentivo e exposições como a Petrobrás Artes Visuais e o Centro Cultural Banco do Brasil. Além da FUNARTE que abriu edital para seus espaços expositivos com pequenos incentivos. Esse ano a novidade dessa instituição foi o Conexões que disponibilizou uma verba para projetos que contemplassem o desenvolvimento das artes visuais.


Editais de bolsas e residências internacionais, são uma outra alternativa que tem surgido. Os países de uma maneira geral têm investido em intercâmbios. Outra saída é fortalecer-se nos coletivos para viabilizar trabalhos. Assim galera, estejam atentos! A internet é uma ferramenta fundamental nesse processo, seja para buscar edital, salões etc (e há muito site interessante disponível para isso) ou para inserir-se na rede em movimento permanente.


EM 25 DE DEZEMBRO DE 2007

8 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

RIO GRANDE DO NORTE NA REDE DA FUNARTE - por Marcelo Gandhi, Sânzia Pinheiro e Jean Sartief



Oficina Marcelo Gandhi


Até 21 de dezembro, a Rede Nacional Funarte Artes Visuais passa pela quinta e sexta fases de execução dos intercâmbios e práticas artísticas. Artistas, pensadores e críticos de arte de origens e tendências estéticas diversas realizam interações com outros artistas gerando não somente a troca e amadurecimento de vivências, de idéias e técnicas como também estabelecendo o fomento às artes visuais locais.

As ações são focadas em vários suportes e linguagens como vídeo, instalação, intervenção urbana, fotografia, vídeo-arte, site specific, arte e tecnologia, gravura e performance, entre outras, por meio de parcerias públicas e privadas com instituições locais e possibilitam a ampliação e a democratização do acesso às técnicas e teorias da área.


O RN marca presença com 3 oficinas. Em Mossoró, aconteceu o workshop de performance com o artista paulista André Komatsu, em Caicó a oficina será com a artista carioca Júlia Csekö e em Natal esteve o paulista Nazareno Rodrigues Alves.


Ainda do Rio Grande do Norte, Marcelo Gandhi e Sânzia Pinheiro (companheiros de escriba desta coluna) foram convidados para viajar a Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR) respectivamente.


Gandhi partiu do conceito de hipertexto e remix como amálgama e metáfora para a mistura racial em Porto Velho e todas as suas diversas expressões entre os artistas locais.

“Realizamos uma vídeo-entrevista com a temática da mistura de raças; elaboramos um ensaio fotográfico com imagens de Porto Velho sob um enfoque bem íntimo. Houve uma ação do fotógrafo Vilela usando a sua roupa como suporte para um ensaio com comunidades ribeirinhas. O artista Júlio saiu com um cântaro na cabeça, tanto ele como o cântaro tinham as cores do Brasil. No dia do happening, queimamos fogos como elemento estétic; colocamos bases eletrônicas e cantamos musicas abertas sem preocupação estilística dando vazão pra livre expressão. Fizemos uma pintura coletiva com açaí; queimamos velas e incensos. Convidamos o público passante a participar pois o happening acontecia nas escadarias da universidade de Rondônia...”

Sânzia levou a discussão sobre a arte contemporânea como desdobramento do espaço moderno e as novas temporalidades da sociedade atual, provocando um olhar sobre as matrizes culturais, buscando percebê-las no contexto da sociedade contemporânea e da cidade como tabuleiro de um jogo criativo.


Para o paulistano André Komatsu, a abordagem partiu das referências da própria cidade. “O objetivo da oficina foi realizar uma conversa entre o artista ministrante e os artistas participantes. O conceito é de que o centro está em todo lugar, em que o local físico pouco determina. Usamos a real localização, valendo a troca de idéias e a conectividade de informações, criando assim um coletivo temporário. A partir daí seguiu-se o desenvolvimento do workshop, com observação da cidade. Peguei pontos referenciais do cotidiano do povo como a festa de Santa Luzia.”


Vale lembra que ao final de cada fase é produzido, para distribuição gratuita, o CD Rom "Cronologia da Arte no Brasil – Séc. XXI" dos trabalhos executados. Para 2008 espera-se que a rede de artes visuais seja ampliada, continue no processo de fortalecimento e democratização da arte contemporânea brasileira e invista dos canais de divulgação dos eventos, que é ainda um dos pontos a ser melhorados.

EM 18 DE DEZEMBRO DE 2007