23/04/2008

25 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

COMPAIXÃO CÍNICA

por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Marcelo Gandhi



Da Compaixão Cínica é o título de uma série de obra de Rodrigo Braga. O artista faz uso de pés de boi e de galinha e cabeça de peixe, esses elementos são fotografados com os pés, mãos e cabeça do artista.
Essas obras foram expostas na coletiva Paradoxos do Programa Rumos do Itaú Cultural 2006, que trazia também a obra Comunhão, série em que o artista comunga com um bode morto, ambos estão deitados e envolvidos por capim, em outra o artista nu se debruça sobre o bode e em outra está enterrado junto com o bode, cabeça com cabeça, como irmão, companheiros em um único destino. A curadoria da exposição do Itaú recebeu vários telefonemas de clientes indignados, ameaçando sair do banco, se aquela obra não fosse retirada, pois o bode estava morto.

Compaixão cínica é, também, a indignação de alguns quando se referem à obra do costa-riquenho Guillermo Varga Jiménez, conhecido por Habacuc. Em agosto, o artista expôs na galeria Códice, em Manágua, capital da Nicarágua, um cão de rua, passando fome. Sendo noticiado que o cachorro morreu de fome e de sede. A imprensa divulgou a morte do animal como um dos fatos mais chocantes em se tratando de arte contemporânea.

Crueldade? Sadismo? Houve uma petição mundial contra o artista que se inspirou no fato real de Leopoldo Natividad Canda Mairena, de 25 anos, que há 9 anos saiu da Nicarágua para tentar uma vida melhor na Costa Rica, país vizinho, e acabou como mendigo, sendo atacado por dois rottweileres, quando saltou um muro de uma oficina mecânica. Teve cerca de 200 mordidas e múltiplas perdas de pele, músculos, tendões, artérias, veias e nervos dos braços e pernas. Levado com vida para um hospital, onde passou por cirurgia e transfusão de sangue, morreu horas depois de uma parada cardio-respiratória.

Habacuc levantou a questão da hipocrisia, trouxe à tona essa compaixão cínica, ao colocar o cachorro que passaria despercebido na rua e ninguém se importaria se ele morresse de fome, numa galeria de arte ganhando atenção da mídia mundial. O cachorro não morreu e foi alimentado regularmente. Mas o assombro, a possibilidade de ter sido morto, foi maior do que a verdade expondo novamente a frágil superficialidade da mídia e da opinião pública perante o que é exposto, que no fim era a proposta do artista, já que desde o começo, havia em uma das paredes da galeria, a frase colocada pelo artista, “És o que Lês”.

Feito semelhante fez Yuri Firmeza, em Fortaleza ao se passar por um artista japonês, que ele mesmo criou e que iria expor no prestigiado Dragão do Mar. A curadoria, no caso Ricardo Resende a par de toda a farsa com o intuito de colaborar na discussão, colocando em xeque todo o sistema midiático e a falta de acompanhamento na produção artística contemporânea. Na ocasião, Yuri declarou: “Os jornais de hoje confirmam o descaso, comprovam que não têm seriedade. Seduzi os jornais do mesmo modo que eles seduzem o público. A obra é uma situação”.

Quanto ao uso de animais em exposições, isso não é novidade. Vários artistas os utilizaram em suas obras como Ligia Pape, Picasso, Damian Hirst e entre outros. Não se trata de uma legitimação ao citar esses artistas, mas de reafirmar que o animal, assim como nós, é mais uma forma de vida e entre as barbaridades que fazemos com eles está o inocente e legitimado ato de comê-los.

Será que o incômodo era a assepsia da galeria de arte, o animal, a morte? Ou se defrontar com a nossa natureza e vermos do que somos capazes? Pois nós não só matamos esses animais, como também os comemos de formas variadas de acordo com cada cultura!!!!!!!!!
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De 25 a 27 de abril, acontece em Olinda/PE o ArteCiência 2008. A inscrição e programação você pode conferir: http://www.arteciencia2008.com.br/

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Seguem até 22/04/08 as inscrições para exposições na Galeria de Arte da UFSC. Mais: http://www.dac.ufsc.br/

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A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) abriu um edital para seleção de projetos, em diversas expressões artísticas, para participarem dos diversos festivais culturais do estado. Mais: http://www.fundarpe.pe.gov.br/.
publicado em 22 de abril de 2008

15/04/2008

24 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

ARTE E CIÊNCIA

por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi



Durante grande parte de sua vida, Leonardo Da Vinci (1452/1519) manteve cadernos onde registrava desenhos de anatomias, invenções, cálculos, pensamentos, esboços preliminares de obras, projetos de engenharia e experimentações científicas. A arte era uma extensão da ciência. Astronomia, por exemplo, era uma de suas paixões e um dos assuntos que investigava e fazia anotações detalhadas.

Em Florença, Leonardo teve permissão para realizar dissecações, no hospital Santa Maria Nuova e foram esses novos conhecimentos acrescidos da sua excelente compreensão das relações entre as diversas partes do corpo humano, como medidas e ângulos do rosto, que faziam suas pinturas terem um aspecto natural sem falsos rigores.

Um dos exemplos mais conhecidos da arte e ciência de Leonardo Da Vinci é verificado no desenho Homem Vitruviano, como referência estética mundial de simetria e proporção. O desenho e o texto também são conhecidos como Cânones das Proporções.

Os séculos XVI e XVII apresentaram o iluminismo e o questionamento do conhecimento científico existente. A tecnologia deu saltos gigantescos. Einstein, já no século XX, trouxe a teoria da relatividade nos ensinando que o espaço e o tempo não são absolutos. Surgiu o ciberespaço. As ciências evoluíram em todas as áreas do conhecimento. Arte, tecnologia e ciência se uniram gerando campos infinitos de multimídias e hoje é um novo conceito de arte que envolve interação, complexidades, interatividade, imersão, conhecimento, transformações, transitoriedades e efemeridades, entre outras questões. Já se parte para a arte envolta no campo da nanotecnologia, dos fractais, da genética, da inteligência artificial etc, redimensionando todo o conceito acadêmico visual.

Hoje sabemos que os raios gama, os Raios-X, as luzes visível, ultravioleta e infravermelha e as ondas de rádio que são todos variações daquilo que entendemos por luz. Abraham Palatinik, (1928) com a arte cinética e pesquisas sobre luz e movimento abriu caminho no Brasil, e revolucionou na 1ª Bienal Internacional de São Paulo (1951) ao apresentar o cinecromático.

Tratamos de uma arte/ciência que vai além das equações simplificadas e pensamentos idealizados, mas que como mencionou Ilya Prigogine: (Prêmio Nobel de química (1977), pela contribuição e pesquisa no campo da incerteza que caracteriza a matéria e por sua teoria das estruturas dissipativas), na obra La nouvelle alliance, trata de um olhar diante de si em meio a complexidade do mundo real que desfragmenta antigos conceitos institucionais reguladores da vida por leis universais, e ele explica: “não há mais situações estáveis ou permanência que nos interessam, mas sim evoluções, crises e instabilidades”. O que buscamos é sair da visão mecanicista das coisas, é explorar a relação do homem e seu tempo, com a natureza, consigo e com todas as incertezas.

Curtas

AGENDA CULTURAL 2009 abre inscrições, de 1º de agosto à 31 de outubro de 2008, as inscrições para propostas de exposição no ESPAÇO CULTURAL DA CÂMARA DOS DEPUTADOS. Mais: http://www2.camara.gov.br/conheca/cultura/edital2007.html
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Até 28 de abril de 2008, a galeria Vermelho estará recebendo projetos de performance para a quarta edição do evento VERBO que acontece de 15 a 19 de julho. Mais: http://www.agenciaverbo.com/amostra/
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Prorrogadas, até 19 de abril, as inscrições para o 59º Salão de Abril - Arte: Desejo e Resistência. Mais: http://www.fortaleza.ce.gov.br/
Publicado em 15 de abril de 2008

08/04/2008

23 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

FALTA ATITUDE!

por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Marcelo Gandhi



O domínio da prática artística envolve o estudo do processo criador dos próprios alunos e de artistas nacionais e estrangeiros. Basta navegar no espaço virtual das universidades do país para perceber que os cursos de artes visuais criam espaços de diálogos com a produção artística do lugar, do país e até do mundo, seja na proposta pedagógica, na criação de eventos, de projetos etc, com o intuito de que as discussões atualizadas da arte participem da formação dos estudantes.

Já está mais que na hora de atualizarmos as estruturas do curso e do departamento de artes visuais da universidade e incentivar a produção artística dos alunos. "Mas não formamos artistas, formamos professores..." foi dito certa vez por um professor do curso de artes da UFRN. Até ai tudo bem, é um curso de licenciatura e a formação no ensino de artes é um dos focos. Aqui as coisas mudam um pouco. As licenciaturas de uma maneira geral sempre tiveram um diálogo um pouco difícil com a pedagogia.

No curso de artes visuais da UFRN, a dificuldade de diálogo é com a própria arte, essa que é produzida nesse momento histórico. Aqui a coisa começa a ficar estranha! Como um curso cujo objetivo é formar professores no campo da arte, não discute a arte do agora? É a arte contemporânea que se conecta com disciplinas, esferas, temas e repertórios do mundo de nossos dias. A universidade pública tem o compromisso social de estar a frente dos processos mais avançados da sociedade, no sentido de torná-la melhor.

Em recente Edital (008/2008), para concurso público para professor, há vagas para Professor Adjunto no departamento de artes para a categoria de escultura, modelagem e cerâmica. E por que não, também, para multimídia, vídeo, fotografia, novas tecnologias, mídias interativas, pesquisa em materiais expressivos, e outras áreas da contemporaneidade artística? Onde está o investimento em pesquisas, curso de extensão, espaços no qual se possa criar/refletir a relação entre arte e tecnologia, arte e violência, arte pública, arte e ciência entre tantas interfaces que a arte contemporânea possui?

A carga horária destinada a experimentação, produção do conhecimento em artes visuais, teoria e pesquisa, chega a mais de mil horas aulas, de um total de 2970, se levarmos em consideração as questões da arte contemporânea e seus links, necessários a formação de um artista/pesquisador/educador é insuficiente. Além da extrema precariedade dos laboratórios e a discussão desatualizada e retrógrada levada para sala de aula.

O curador Bitu Cassundé escreveu, a pedido desta coluna, sobre as impressões que teve do movimento artístico em Natal, quando esteve por aqui, semana passada, divulgando o edital do Programa Rumos Itaú Cultural: "Escrevendo um texto sobre a obra do artista Leonilson, deparei-me com uma lona sem data com a seguinte inscrição: ''Sementes, terra fértil, atitude''. De imediato veio a lembrança da recente temporada em Natal e a realidade que a maioria da produção local apresentou. Fiquei feliz ao encontrar um corpo de artistas com disposição, força e atitude, porém falta-lhes uma infra-estrutura básica como: incentivo a formação através de oficinas, cursos, residências artísticas, bibliotecas, troca de informação com a produção de outros estados e uma Universidade com mais recursos e dinamismo, uma melhor estrutura dos espaços de exposições e uma política pública que incentive a pesquisa e a produção. Natal já possui um solo fértil (os artistas), já possui sementes (as poéticas dos artistas), o que falta é atitude (dos gestores culturais)."


CURTAS


O 5º Salão de Artes Unimed - Ponta Grossa (PR) recebe inscrições até 30/04. Há 05 prêmios que totalizam R$ 3.850,00. Mais: http://www.artepg.com/


Abertas até 15 de abril as inscrições para o Revelando os Brasis Ano III, objetivando o desenvolvimento audiovisual e estímulo à produção de vídeos digitais. Mais: http://www.revelandoosbrasis.com.br/



Abertas até 18 de abril, a convocatória da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para participar do Residências Artísticas para Criadores de Ibero-américa no México. Mais: http://fonca.conaculta.gob.mx/



Publicada em 08 de abril de 2008

01/04/2008

22- FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA FEIRA

A BELEZA DA DIFERENÇA
por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


Ronald e a intervenção urbana na árvore - Verde que te quero verde

Ronald Duarte é um ser humano inquieto e um artista intenso em sua atividade. Aproveitamos a passagem dele por Natal para o projeto denCidade para um bate-papo sobre arte, vida e sua produção.

FV – Como é seu processo de criação?


O meu processo de criação ele demora um tempo de vivência, de convivência, de perceber o espaço em que eu estou inserido. Não estamos isolados do mundo. Temos que perceber o espaço. Nesse caso aqui (projeto Verde que te quero verde, executado durante o denCidade) é uma árvore morta que me incomodava desde o dia em que cheguei e eu acho que é um motivo para se pensar em plantar árvores, alguma coisa ecológica. O vermelho é um complementar – oposto do verde – por isso eu pensei em pintar a árvore de vermelho, para ver se as pessoas a percebem... No denCidade eu vim sem nenhuma proposta inicial para poder ver qual é necessidade porque é muito difícil você vir com expectativas e encontrar outra coisa. Meu processo de criação, o tempo todo, é esse embate físico/corporal no espaço em que eu estou vivendo.


FV - Você participou do imaginário periférico que colocava a questão do meio e da produção. Como você vê a produção contemporânea fora do circuito Rio de Janeiro/ São Paulo?


Eu não só participei como fui um dos criadores, um dos pensadores da idéia do Imaginário Periférico. Eu coloco essa questão visceralmente porque eu fui criado na baixada fluminense e fui excluído por muitos anos... vivia numa periferia... tinha necessidade e vontade de fazer arte de fazer tudo isso que fazemos e de repente não tinha espaço exatamente como o pessoal daqui (Bairro Nossa Senhora da Apresentação, durante o denCidade) que está aqui e não consegue chegar ali... Então essa distância que fisicamente é tão curta, mas ideologicamente, filosoficamente ou esteticamente é tão distante que conseguimos, de uma maneira ou de outra, encurtar. Na verdade sou eu, Jorge Duarte, Raimundo Rodrigues, Roberto Tavares, Deneir e Julio Sekiguchi, são 6 que nos reunimos para criar um grupo na periferia onde a idéia era que o imaginário periférico de fato viesse à tona. Se formos buscar aqui os artistas locais, como aquele rapaz que está ali na associação, você vai encontrar preciosidades. Picasso só foi Picasso porque estava no lugar certo, na hora certa porque senão o mundo inteiro não o conheceria. Então o Imaginário Periférico é uma ansiedade de infância, uma necessidade de infância, de botar o bloco na rua, de mostrar produção, e de afirmar a diferença sem querer pasteurizar e amarrar todo mundo num conceito.


FV – Essa possibilidade de abrir para novas percepções e criadores é uma das riquezas de projetos como o Imaginário Periférico, como o denCidade e outros?


Sem dúvida. O Imaginário Periférico é uma riqueza sim. Tanto o imaginário periférico, como o projeto denCidade, via Funarte (conexões visuais) que é uma continuidade da Rede Nacional de Artes Visuais, criada pelo Xico Chaves, é uma preciosidade também porque consegue congregar mais de 50 artistas do Brasil e mais de 30 a 40 capitais , então quer dizer, quando você consegue ter o feedback da comunicação - porque muita gente pergunta como isso acontece... e isso só acontece através da comunicação porque a comunicação é visual, sensível, afetiva, emocional, social, de todas as ordens. É preciso colocar a mão na massa, fazer!


FV – Quais as maiores dificuldades de trabalhar com arte contemporânea no Brasil?


Para mim a maior dificuldade de trabalhar com arte contemporânea é ser contemporâneo. É estar nesse tempo. A maior dificuldade é conseguir largar o ranço e a velharia e esse piso construído, tradicional, desse imaginário de que artista é alguém com uma paleta, uma boina, um cachimbo na boca e pintando uma telinha e uma paisagem. Isso foi um marco do século XIX, um marco da pintura antes de todo esse boom e essa explosão espacial. O próprio Hélio Oiticica que no Brasil foi um dos precursores, dizia que tinha que deixar o corpo falar, o corpo fluir, o corpo entrar no espaço e quando o corpo entra no espaço e aceita esse espaço a tela cai da parede e o cubo branco explode.



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A exposição ‘A Arte que Banha o Nordeste’ conta com 113 obras de cercade 30 artistas de Sergipe, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande doNorte. Palácio dos Bandeirantes, de de 31 de março a 4 de maio de 2008. Mais:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/
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O 7º Salão Nacional de Arte - MAC de Jataí (GO) - 2008 recebe inscrições até 16/04/08. Mais: http://www.jatai.go.gov.br/
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Abertas até 04/04 inscrições para o 59º Salão de Abril, em fortaleza/CE. Mais: http://www.fortaleza.ce.gov.br/salao.asp



publicado em 01 de abril de 2008

25/03/2008

21 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

UM NOVO OLHAR
Por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi

Ronald Duarte, artista carioca criando a obra Verde que te quero Verde, durante o denCidade


A área do conhecimento tida como Estética da Recepção, relativa em sua origem à teoria literária e aplicada, hoje, a todos os campos artísticos, nasceu numa conferência ministrada por Hans Robert Jauss, em 13 de abril de 1967. A partir de então, a arte deixa de ser explicada pela noção limitante da mimese e inclui outros princípios.



Jauss afirma que a arte não existe para confirmar o conhecido e sim para contrariar expectativas.



Próximos dos 41 anos da teoria, no bairro Nossa Senhora da Apresentação visualizamos exatamente todas as 7 teses elaboradas pelo pensador que valorizam o processo comunicativo da arte através do projeto denCidade, aprovado pelo edital Conexões Artes Visuais da Fundação Nacional de Arte (Funarte) e patrocínio da Petrobras.



Uma árvore seca pintada inteiramente de vermelho e uma carroça em chamas subvertem o sentido da natureza dos objetos e chamam atenção para a percepção estética e cheia de sentidos que a obra cria. Um corpo aparentemente desfalecido tomado por carnes e pedaços de plástico costuradas umas às outras contraria a percepção comum dos valores e da sociedade. Um marrete preso a um muro à espera da quebra das fronteiras. Sonhos e árvores plantadas na terra à espera da frutificação. Terra distribuída aos próprios moradores no questionamento de quanto ela vale? Terra pintada de branco na Rua da Paz. Um imenso cordão de garrafas pets arrastadas por garotos em bicicletas quebram o cotidiano em uma sirene de consciência e alegria. Cartazes colados nos muros e residências reafirmam e questionam, a um só tempo, a realidade e suas significações.



Várias outras ações são assimiladas pela comunidade que abre-se a um olhar examinador e pessoal provocado pelas obras distintas.



É justamente essa experiência do público, esse original olhar sobre as coisas, suas análises e comprovações de novos sentidos a sua realidade que estabelece com sucesso as intervenções urbanas realizadas por artistas comprometidos com a arte sim, mas comprometidos também com a vida, traduzidos com alegria por uma moradora: “Vamos continuar!”
FV
Publicado em 25 de março de 2008

19/03/2008

20 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

QUEBRANDO PARADIGMAS
por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi

Cartaz do denCidade. Arte Mário Rasec.

Edmond Couchot comenta no livro A Tecnologia na Arte que o “desejo de comunicação em estado puro, sem intermediário cultural, estabelecido sem desvio, do artista ao espectador” pode se manifestar de uma maneira intensa, mas para isso é necessário sair dos circuitos de difusão tradicional (galeria, museus, exposições particulares ou coletivas) e buscar um contato direto e o mais estreito possível com o público. “A arte desce de seu pedestal, quer conquistar a rua, quer se oferecer a todos.” Nesse sentido as intervenções urbanas, problematizam o senso de obra de arte.


A intervenção urbana designa ao artista um novo estatuto e coloca à arte um novo paradigma. Trata-se do artista etnógrafo. A arte transforma-se num mapeamento etnográfico de comunidades, porém diferente da ciência que colhe o dado e o analisa em ambiente asséptico, a intervenção urbana, é um gesto sobre aquilo que está em movimento, ela é provocativa do lugar, das pessoas. Os ganhos são urbanísticos, estéticos, políticos, cognitivos, éticos entre tantos outros.

É com esse conceito que percebemos o projeto denCidade, em realização, no bairro Nossa Senhora da Apresentação, Zona Norte de Natal. Vale salientar que congregar 23 artistas de vários estados brasileiros e com participação de artistas potiguares é uma das tarefas felizes desse projeto. Além de realizar esse intercâmbio artístico e agir diretamente no bairro, com o apoio e integração da comunidade e diversas entidades locais que o acolhem, com generosidade, como o Conselho Comunitário Nair Bezerra e Alvorada IV, o projeto possibilita o despertar da realidade através da arte.


A poética penetrante no espírito dos artistas é alcançar a apresentação da realidade como matéria bruta de criação o que sugere uma imersão e a definição de um caminho que só é percorrido através do firme propósito da afirmação crítica e social da arte.É preciso acordar para que o artista solicite e exija a libertação das energias expressivas reprimidas pelas instituições que existem também para contribuir na criação de novos conceitos, propostas, linguagens e vocabulários. Isso é urgente para um espaço-tempo reconfigurado há muito. Para tanto, sugerimos que a cidade é o campo de pesquisa; alimento para a construção de poéticas várias, e o denCidade é um exemplo pleno de todo esse processo.

Publicada em 18 de março de 2008

11/03/2008

19 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

CONVERSA COM CILDO MEIRELES
por Marcelo Gandhi, Jean Sartief e Sânzia Pinheiro
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O Fermentações Visuais traz, nesta semana, uma entrevista exclusiva com o artista Cildo Meireles, expoente da arte contemporânea brasileira e internacional.



Fermentações Visuais - Qual o papel da arte no mundo tomado pelo poderio econômico?

Cildo Meireles: A princípio quero crer que o melhor da arte é o que se faz a favor da utopia humana - criar condições para que o homem se torne melhor, em contrapartida com a barbárie cotidiana. Não acho o ser humano mal, a economia gera essa barbárie. Chegamos no limite, veja a questão dos automóveis e seus danos ao meio ambiente. A questão demográfica é outro grande problema no Brasil, devido às questões políticas que dificultam mais do que resolvem. Acho que o nacionalismo é nocivo ao ser humano, enquanto este não compreender que estamos no mesmo barco... pensar fraternalmente, a inexistência de fronteiras pode ser um caminho...

Fermentações Visuais - como você vê esses movimentos quase ou totalmente institucionalizados da arte contemporânea como as bienais, galerias, feiras?

Cildo Meireles: preciso refletir mais para ter uma idéia mais concreta disso enquanto artista... Na arte, bom ou ruim é sempre o trabalho do artista. As feiras interessam aos mercados; as bienais interessam aos curadores e artistas, mas esses níveis se interpenetram - A arte é um bom meio para criticar, mas o artista não pode perder seu foco nas suas reais necessidades e projetos. Eu sou muito individualista, pretendo que a instituição interfira o mínimo no meu trabalho. Negociar o máximo, criar uma simbiose entre ambos....para os artistas mais velhos é mais fácil se impor, agora para os mais jovens existem muitos limites. Uma coisa, arte pra mim é bandoleira: as instituições não compreendem... quanto mais regras menos favorece a prática artística... o estado até apóia, mas sem complicar demais... Os produtores, gerenciadores de projetos são meios importantes para os artistas agirem sem ter que ficarem à margem.

Fermentações Visuais - O que ele diria a um artista que esta começando?


Cildo Meireles: “Jovens envelheçam, envelheçam depressa... ” (citando Nelson Rodrigues) Tem que ter paixão! As pessoas falam de talento, obstinação...na maior parte da minha eu só acreditava no meu trabalho, é solitário mesmo! Não é uma carreira, é uma loteria! Desde pequeno minha mãe falava: “esse menino só vive com esses desenhos!” O artista tem que saber se é isto que ele quer! Tem que batalhar, acreditar até ter uma chance disso virar real.

Fermentações Visuais – o que pensa sobre a fala de Aracy Amaral (falamos das críticas elogiosas que ela fez a Meireles na sua palestra no 8 de maio, em Natal), sobre o futuro e a retrospectiva na Tate Gallery, em Londres, para 2008?


Cildo Meireles: Poxa! Eu fico feliz, honrado de ver que toda batalha vale a pena! Sinto- me recompensado. Sobre o futuro quero trabalhar...artista é como ciclista: pára quando cai! A retrospectiva cobre desde os anos 60 até os trabalhos mais recentes que estarão nessa exposição incluindo Missão/Missões (1990) e Desvio para o Vermelho (1986). Ao todo serão 6 ou 8 peças expostas. São peças grandes. Recebo essa retrospectiva de forma super legal. Ela veio através do Vicente (Todoli) que foi responsável pela minha primeira individual na Europa, no Instituto Valenciano de Arte Moderna, na Espanha . Depois expus em Portugal e depois nos EUA, em Bostom. Essas exposições no exterior me abriram muitas portas....a exposição da Tate Gallery acontece no dia 4 de outubro de 2008. A minha preocupação é que os trabalhos fiquem bem montados,o resto e conseqüência...
FV
Publicado em 11 de março de 2008

07/03/2008

18 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA


ARTE DESCOBERTA

por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


Olho. M. C. Echer (1898-1972)

No livro Arte, Dor – Inquietudes entre Estética e Psicanálise, o psicanalista João A. Frayze-Pereira, comenta que no ensaio do filósofo Gerard Lebrun “A mutação da Obra de Arte” (1983) há uma busca para compreender a arte contemporânea não mais como uma contemplação dos trabalhos, mas como um estudo dos sinais que são apresentados, da realidade do entorno.


Segundo Lebrun, “A maior parte do tempo, uma imagem nos interessa porque indica alguma coisa que não está na imagem: pelo que nos deixa adivinhar, ou pelo que continua a ocultar. Somos muito mais os detetives do sensível do que os seus voyeurs”.


Com certeza essa busca que rompe o conforto já acomodado do olho gera bastante surpresa para os que se aventuram na busca das novas percepções e sentidos. Aprimorar o olhar e abrir os horizontes faz parte do caminho para penetrar no visível tal como a sobrevivência do cotidiano. É uma apuração.


Se as exposições aqui não investem em formação, em educação, em monitoramento, guias, textos, etc cabe ao público colocar para fora todos os seus questionamentos para facilitar o seu entendimento ao invés de silenciar e, por outro lado, gritar suas inquietações quanto a esse perfil de exposição que pressupõe um público já formado, com domínio pleno de tudo!


Se algo lhe choca, preste muita atenção a esse sentimento, a essas sensações advindas porque você terá, com certeza, indícios fortes de que é um valioso caminho para se entender e entender o mundo ao seu redor. As obras estão a seu dispor para serem degustadas e não consumidas como fast-food. Pergunte-se “O que busca o artista?” Lance um novo olhar às obras que você encontra! Aventure-se na descoberta de sair do seu ponto de conforto.


Acostumamos a silenciar e aceitar o silêncio como uma premissa de compreensão quando também se faz necessário impregnar o mundo com outras falas, olhares, contextos. Redescubra dúvidas e entendimentos. Frayze comenta que em toda a história da arte, nunca os artistas empregaram tanto o próprio corpo como na contemporaneidade como forma de gritar tudo a sua volta e o silêncio do expectador é recorrente. É preciso acordar do que nos dissolve em calmaria e no meio ao que se convenciona a agir politicamente correto.


Ao artista também cabe, de forma eloqüente, romper com a fragilidade institucional dominante possibilitando que o sensível que o envolve e desperta ocupe um lugar preponderante , provocador e sinfônico que torne o vazio repressor não percebido pelo cotidiano numa movimentação inscrita em sua própria alma e na alma de quem se permite a descobrir novos e velhos universos.
Publicado em 04 de março de 2008

27/02/2008

17 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

VINCENT POTIGUAR

Excepcionalmente, em homenagem ao artista plástico Thomé, a coluna dessa semana do Fermentações Visuais é um depoimento escrito por Flávio Freitas, pintor e amigo de Thomé.

Thomé. Foto Iano Andrade. 2001

Quinta-feira a tarde recebo uma chamada no celular, minha mulher avisa que soube no trabalho que Thomé havia cometido suicídio com um tiro de revólver. O choque da notícia me provocou dúvida e confusão. O artista e ser humano Thomé que conheci não encaixava neste evento funesto. Pouco depois lembrei de nosso último encontro no festival do camarão na Ribeira em que nos cumprimentamos e ele me pareceu menos expansivo e alegre como eu o conheci.


Só acalmei minha revolta conversando sobre Thomé, com um grande amigo e ele me alertou: “A mente humana possui poças de areia movediça de onde nem sempre é possível escapar-mos.”


Conheci a pintura de Thomé através de minha avó Hermengarda (O’Grady de Paiva Ferreira de Souza), pintora e decoradora, que o considerava entre os três grandes pintores de Natal na década de 70: Newton Navarro, Dorian Gray e Thomé. Muitos anos depois, em meu ateliê da Av. Afonso Pena tive o prazer de conhece-lo pessoalmente em uma visita cordial. Admirador de sua pintura fiquei logo fã da pessoa de Thomé. Pela simplicidade, alegria, amizade e humildade. Impressionou-me a sua disposição em aprender comigo e meus dois ajudantes a técnica da serigrafia sobre papel. Criou um projeto de dez ou doze paisagens e logo começou a trabalhar. Intensamente, como um artista apaixonado, dedicou muitas horas em meu ateliê aperfeiçoando, afinando e adequando as técnicas da serigrafia ao resultado que pretendia. Sua risada marcante, espírito brincalhão enchia meu lugar de trabalho de alegria. Suas observações sobre cores e contrastes, as constantes alterações das matrizes, me contagiava de amor pela arte de pintar.


Em pouco tempo ele já dominava o processo completo e levou um de meus ajudantes para imprimir resto da coleção em seu ateliê. O resultado foi apresentado numa grande exposição no Palácio Potengi (Pinacoteca do RN). Serigrafias de altíssimo nível, com um grande público e sucesso de vendas. Embora ele tenha optado por papel e tintas mais baratos, coerente com seu desejo de produzir arte mais acessível, o resultado artístico da coleção de serigrafias é um marco na historia da pintura em nosso estado.


Thomé me contou que havia feito um esforço em sua carreira de pintor, e nisso foi precursor, para produzir pinturas mais baratas e ampliar no público potiguar o gosto pelas obras de arte originais, num tempo em que a moda era decorar as paredes com posters e gravuras dos grandes mestres da história da arte. Seu trabalho com a gravura em serigrafia de tiragem limitada sintonizava com o desejo de alcançar mais gente com uma obra mais barata e menos massificada.


Me impressionou fortemente como ele solucionou a gravura do Morro do Careca na luz do amanhecer. Uma composição de cor complexa e somente possível para os graduados na arte de pintar. Encantei-me também com as pinceladas livres e qualidade abstrata da gravura do parque das dunas.

Convivendo com Thomé aprendi muito e descobri que ele foi até hoje o único potiguar (morando aqui) a participar da Bienal de São Paulo, o evento de artes visuais mais importante da América Latina. Identificamos histórias em comum como o fato de termos vivido nos Estados Unidos na mesma fase da vida, o amor pelo Rio Grande do Norte e suas paisagens e às cores como linguagem para se comunicar com o mundo.

Depois desse convívio, em que eu procurava manter sempre umas três latas de cerveja na geladeira para oferecer ao mestre Thomé, ele foi deixando as visitas eventuais. E depois me disse que estava se dedicando a sua fazenda aonde montava um Hotel Fazenda. Fiquei triste em perceber seu desinteresse pela pintura, mas cada um sabe aonde quer gastar suas energias. Prometeu me convidar para uma dia de pintura na fazenda mas nunca aconteceu. Com minha mudança para a Ribeira, nunca mais recebi sua visita amiga.

No dia seguinte da sua morte, abro um dos maiores jornais do RN e vejo apenas uma foto do artista e um pequeno e medíocre texto sobre sua morte, no caderno da cidade. Nenhuma foto de suas obras, nenhuma referência a importância de sua pintura. No caderno de Cultura......nada. Só assuntos de relevância menor em relação ao artista Thomé. Nenhuma referência ao fato de Thomé ter sido mestre, guru e padrinho da minha geração de artistas neste Rio Grande. É estarrecedor o desprestígio das artes visuais em nossa a cidade. Há razões históricas e de outras naturezas para este estado de atraso, mas eu esperava mais, mesmo assim.

Nesta semana triste interrompi a leitura, dias antes da morte de Thomé, do livro “As Mulheres de Van Gogh”. Fiquei incomodado com o esmiuçamento da vida íntima do gênio da pintura, a quem tanto admiro. A genialidade de Vincent, como queria ser chamado, não tem nenhuma ligação com suas dificuldades mentais. Parei de ler o livro porque não tenho necessidade de compreender suas fraquezas e dificuldades emocionais para reconhecer a grandeza do seu legado para a humanidade. E o livro gira em torno do ato final de Van Gogh, o estampido seco do tiro de revólver contra seu próprio corpo.

Assim, com o mesmo exato gesto, Thomé Filgueira, artista, amante dos cavalos, dos animais, das mulheres, do Rio Potengi e das paisagens do vale do Ceará-Mirim, deixa esta vida... em que ficamos. Deus nosso pai, o acolha e abençoe seus familiares e amigos.

Natal, 18 de fevereiro de 2008
Flávio Freitas


PUBLICADO EM 26 DE FEVEREIRO DE 2008

19/02/2008

16 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

A ARTE CONTEMPORÂNEA É INTEGRADORA
Por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


Monalisa Graffiti, versão radical L.H.O.O.Q. Bristol Reino Unido



No livro Poéticas do Processo – Arte conceitual nos Museus, Cristina Freire comenta que "Falar da história da arte contemporânea é atualizar um paradoxo. Como ser "história" e "contemporaneidade" a um só tempo?".


A arte contemporânea não segrega, omite ou ignora a história, ela a integra e a constrói. É uma reflexão de nosso tempo, de nossas linguagens e conceitos que perfazem um percurso do cotidiano, engloba um olhar sobre o passado e se lança ao futuro abarcando experimentações e privilegiando possibilidades congregatórias em diversos campos além de criar panoramas múltiplos trazendo novos questionamentos a tudo o que vivemos.


Essa possibilidade intensa é uma das fermentações mais vivas que temos. Não existira a arte contemporânea sem todas as escolas anteriores. As proposições, a atitude crítica, os novos materiais, as experimentações estão presentes em toda a história da arte, entretanto é na arte contemporânea que os dogmas caem. Ela cria e se recria sem atitudes colidentes mas trazendo à tona os questionamentos atuais e não somente a plasticidade artística.


A construção, numa obra de arte, diz respeito a sua lógica interna, e não a dos conceitos ou a lógica aristotélica, com premissas e conclusão. Trata-se, de uma racionalidade intrínseca ao processo de unificação de todos os elementos da obra. Ou seja, os elementos, a relação entre eles e a organização são constitutivos de um DIScurso, possuidor de uma lógica que faz referência ao mundo.


Arte é conhecimento tanto para o artista que cria, como para o apreciador. O artista que lança uma nova proposição como quem lança, a cada estação, uma coleção de moda perde-se em seu próprio turbilhão de idéias. É preciso maturar, aquecer as próprias perspectivas de um trabalho que se construa numa trajetória, em um amadurecimento.


Os artistas contemporâneos devem investir na pesquisa de materiais, de conhecimentos/saberes e de linguagens construindo seu percurso crítico e possibilitando novas formas de expressão que abrangem amplas possibilidades de experimentações e esse processo também delineia a história que escrevemos.
Publicado em 19 de fevereiro de 2008