01/07/2008

35 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

d
E POR FALAR EM ARTE E TECNOLOGIA...
Por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Afonso Martins


O texto de hoje é para aqueles artistas que pretendem se inscrever no II Salão de Artes Visuais Prêmio Abraham Palatnik. Já apontamos, em escritos passados, alguns equívocos no regulamento e no salão anterior. Hoje as questões são: o que é tecnologia? O que está acontecendo no mundo em termos de arte e tecnologia? Quais os conceitos colocados?


Em 09 de junho foi aberta, na China, a coletiva Synthetic Times: Media Art China 2008. Nessa exposição a artista brasileira Rejane Cartoni apresentou a obra OP_ERA: Sonic Dimension (é possível fazer uma visita virtual). O sucesso da obra foi tão grande que a artista foi selecionada para falar por todos os artistas na cerimônia de abertura. O conceito da obra centra-se em "ambientes imersivos-interativos, um híbrido de espaço de dados e espaço físico, além de dispositivos que servem para produzir ilusões espaciais. São promessas de novas interfaces através das quais o humano e o computador poderão comunicar simbioticamente. Nesses ambientes (no caso ideal), o comportamento 'natural' do agente humano está associado ao comportamento 'artificial' do computador de maneira inseparável. Cada ação ou contato estabelecido sob tais circunstâncias gera compreensão equivalente a qualquer uma das partes."


São inúmeros os artistas que trabalham com interfaces como a genética, o corpo humano, a robótica, a biologia, outros animais etc… E aí nos perguntamos, o artista dá conta de todos esses conceitos? Não! Ele trabalha em conjunto com outras áreas. O projeto é concebido pelo artista que pesquisa nas várias ciências e convida, solicita, seduz, engloba cientistas, engenheiros, matemáticos, pesquisadores e outros profissionais que, em diálogo com o criador, viabiliza a obra.

Um artista brasileiro que provoca polêmica é o notabilizado Eduardo Kac, que criou em conjunto com um laboratório francês uma coelha fluorescente GFP, Alba. Além do animal, Kac já trabalhou com bactérias, plantas, peixes, amebas e ratos igualmente fluorescentes. Estão todos no sistema ecológico artificial de O Oitavo Dia, seu terceiro trabalho transgênico. Em 1997, introduziu um microchip (transponder, de identificação) em seu calcanhar esquerdo, o título da obra é "Time Capsule".

Já Paulo Brusck, realizou, em 1976, experimentações com aparelhos de raio X, eletroencefalógrafos e eletrocardiogramas, tomando os registros dos aparelhos como recursos gráficos. O artista criou uma correspondência entre os estados de ânimo e os efeitos gráficos produzido pelos aparelhos. Essa pesquisa resultou no livro de artista: O Meu Cérebro Desenha Assim (1976), um vídeo e um filme em super 8.

As décadas de 60 e 70 são caracterizadas também por uma explosão dos meios e é dessa época que o artigo de Walter Benjamim A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, se populariza. A tecnologia dos anos 60 abriu novos e insuspeitadas possibilidades à criação artística. Os artistas conjugam metafísica, tecnologia, arte e ciência. Essas interfaces só têm se ampliado!

Muitos concordam que o uso do computador para a feitura de arte pode ser datada em 1959, na Escola Politécnica de Stuttgart, quando Théo Lutz cria poemas clássicos e não uma obra com características dos "médiuns" utilizados.

A palavra tecnologia vem de dois vocábulos gregos: τεχνη (tekno) — "ofício" e λογια (logia) — "estudo" e é tão antiga quanto a própria humanidade; envolve o conhecimento técnico, científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento.

Outros artistas trabalham com suportes avançados, conceitos que são híbridos de várias áreas. Há aqueles que estão preocupados com as interfaces entre corpo e máquina ou estão trabalhando no campo da body art e da bioarte, como por exemplo o australino Stelarc e a francesa Orlan que promovem a crescente simbiose entre a carne e a técnica; o orgânico e o inorgânico, problematizando as novas configurações corporais.

Se quisermos provocar desenvolvimento nas artes visuais do RN é importante lembrarmos que uma coisa é a proposição do salão, outra coisa são as obras apresentadas. Para os artistas há dois caminhos quanto a esse salão: ou se inscrevem com uma obra que se sintoniza com as questões contemporâneas e a produção atual e a tecnologia ou não se inscrevam. Acreditamos que isso é uma coisa chamada ética e coerência.

CURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAS

Acontece até 26 de julho a V edição da Bienal de São Tomé e Príncipe. Mais: http://www.bienalstp.org/
...

Inscrições para o Salão de Artes Visuais do 9º Festival do Instituto de Artes (Feia 9), da Unicamp, em Campinas (SP), até 25 de julho. Mais: http://www.feia.art.br/
...

Segue até o dia 2 de julho de 2008 as inscrições para o 7° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia. Mais: http://www.cultura.gov.br/
...

Publicado em 01 de julho de 2008

26/06/2008

34 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

j
SOBRE COERÊNCIA TÉCNICO CONCEITUAL


por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Afonso Martins


Cortejo com mais de mil pessoas na 10ª edição da Sonsbeek 2008


Na coluna anterior discutimos os equívocos conceituais existente nos eventos de artes visuais de Natal. Trazemos hoje um exemplo de coerência técnica conceitual em eventos de arte contemporânea. Trata-se da 10ª edição da Sonsbeek 2008, na cidade de Arnhem, Holanda.

Essa exposição internacional de escultura é uma das principais no mundo e tem cobertura brasileira pelo Forum Permanente.

Pode-se dizer que um dos pontos altos desta edição, cuja tema foi Grandeza, foi o fato de que antes das obras serem instaladas houve um cortejo onde cerca de 1000 pessoas entre moradores, artistas, estudantes, músicos, colaboradores que entraram em contato direto com a arte e os artistas carregaram, voluntariamente, as 26 obras, representativas a cada letra do alfabeto, que seguiram desde o centro da cidade até o Sonsbeek Park, local do evento. Ao final do dia, mais de 30 mil visitantes haviam compartilhado a grandeza da vida humana.

A curadora Anna Tilroe, crítica de arte e cultura, declarou que o feito foi objetivando algo maior: "Uma procissão é uma ferramenta poderosa para invocar uma experiência conjunta na qual as pessoas estão conectadas. Na Sonsbeek 2008, procissão tem um significado simbólico distinto: celebrar arte como símbolo da imaginação humana e conscientização social".

Esse momento no qual moradores e artistas estavam muito mais que momentaneamente situados em um mesmo espaço, é o catalisador de um desejo de coerência na qual a coletividade realmente é vista e respeitada. Há, nesse sentido, a busca verdadeira para o novo, o desejo real de que as coisas evoluam.
Segundo a curadora, a arte tem o poder de gerar novos caminhos revelando potenciais desconhecidos. "A arte pode revelar o mundo e nós mesmos de maneira renovada e cheia de possibilidades sem precedentes. Para nós, a dolorosa mas corajosa busca em transcender nossas limitações diárias é a Grandeza".

É esse movimento, essa força empenhada em prol de algo maior, nobre e presente cotidianamente e não aludida em manchetes de jornais, que não somente os artistas, mas toda a sociedade pode e deve usar a favor da coletividade e contra a tirania, contra os discursos vazios, as inaugurações de obras incompletas de políticos que criam uma sociedade do espetáculo, alienante e vazia.

A arte contemporânea tem um sério compromisso com a vida, mas como tudo, existe o sistema criado pelos humanos que têm um movimento singular. É preciso entender esse movimento como fez a curadora da Sonsbeek 2008. A procissão das esculturas tornou-se a procissão de nós mesmos em busca de nossa dignidade humana, de nossa grandeza, da descoberta de quem somos ou não somos.


CURTAS

Até 01 de julho seguem as inscrições para a convocatória internacional do AVLAB 0.1 de áudio e vídeo. Mais: http://medialab-prado.es/article/avlab_10
...

Prorrogado até 30 de junho as inscrições de projetos culturais para a programação 2009 dos centros culturais do banco no Rio de Janeiro (RJ), em São Paulo (SP) e em Brasília (DF). Mais: www.bb.com.br/cultura
....

Até 01 de julho segue inscrições para o Triangle France, residência artística de 3 a 6 meses, que tem como objetivo encorajar experimentos, mobilidade artística e intercâmbios.
Mais: www.lafriche.org/triangle
....
Publicado em 24 de junho de 2008

17/06/2008

33 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

***
ARTE E NOVAS TECNOLOGIAS

por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Afonso Martins

Ivan Sutherland abrindo caminho para as novas tecnologias

A interatividade, segundo Mônica Tavares, estudiosa da arte e das novas tecnologias e doutora em artes pela ECA/USP, pressupõe uma relação que garante ao receptor intervir instantaneamente sobre a obra. O próprio conceito de Interatividade nasce a partir de Ivan Sutherland, em sua tese de doutorado, em 1962, onde o usuário desenhava diretamente sobre um tubo de raios catódicos, visualizando as figuras imediatamente, gerando um processo comunicacional de reciprocidade.

No mês passado, houve a exposição comemorativa ao oito de maio sob o título de Interativos e não-contemplativos e, recentemente, foi lançado o edital 2008 do II Salão de Artes Visuais Prêmio Abraham Palatinik que visa difundir, fomentar, selecionar e premiar a produção artística no campo das artes visuais que se utilizem das novas tecnologias e novas técnicas aplicadas a arte. Ambos mostraram-se aquém quanto a seus resultados. No primeiro o saldo foi mais contemplativo que interativo e no segundo, levando em consideração o atual edital e os trabalhos da primeira edição, solicita-se, urgente, um aprofundamento.

Um salão que busca trabalhos artísticos em novas tecnologias já começa confuso quando o regulamento e fichas de inscrição são distribuídos em xerox que, neste caso, não se trata de um conceito ou forma de expressão baseada no equipamento, mas apenas na não onerosa reprodução. Seria um descuido? O regulamento segue com peculiaridades como o de solicitar expressamente “fotos reveladas em estúdio” ou em relação a um dos itens de avaliação dos trabalhos: “b) utilização de materiais e meios inusitados.” Não é mais sensato a utilização de meios tecnológicos? Outra coisa é que “meios inusitados” é um pouco complexo na arte contemporânea a partir de 1960. O que poderíamos chamar de meios inusitados?

As novas tecnologias também unem o espectador à obra pela possibilidade de retroação o que nos remete, igualmente, à questão da interatividade, lembrando que as obras, nessa premissa, são sensíveis a diferentes manipulações pelo observador. Trata-se de uma participação real e não mental. O apelo de soluções tecnológicas mais simples ou complexas segue com cada proposta artística, mas o objetivo é a perturbação direta pelo público. Uma participação que gera conhecimento pela experimentação dos processos artísticos, conforme menciona Edmond Couchot.

Se aqui existe essa dificuldade conceitual e prática, a pergunta é, conforme sugestão já proposta por Paulo Brusck (PE) e Diogenes (PB), durante a primeira edição do salão, por que não se investe em semanas de estudos e formação sobre a arte e as novas tecnologias? O resultado anterior do salão estava mais para a estética do precário do que para novas tecnologias. Um salão com ênfase na estética do precário seria muito bom! Esta proposta surgi com Hélio Oiticica , antes da arte povera e hoje Lisete Lagnado, discute o conceito de gambiarra que se aproxima dessa apreciação.

É necessário sintonizar-nos com as discussões teóricas e acontecimentos no Brasil e no mundo para não ficarmos apenas na festa. O positivo é que, no público da terrinha tem muita gente antenada, com um repertório atualizado, no campo da tecnologia mais avançada, apesar das instituições insistirem nos equívocos conceituais.


Curtas CURTAS curtas CURTAS curtas CURTAScurtasCURTAS


Segue até 18 de julho as inscrições para a Bolsa Iberê Camargo 2008 com Bolsas no valor de R$ 8 mil.

...

Até 01 de setembro segue as inscrições para o Concurso Mundial de Fotografia do Año Internacional de la Papa, promovido pelas Nações Unidas e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Mais:
...

Um Olhar Sobre a Cultura Popular Nordestina é o tema do concurso de fotografia que faz parte do Programa BNB de Cultura 2008. Inscrições até 14 de julho.
...
Publicado em 17 de junho de 2008

11/06/2008

32 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA


O DESEJO QUE FAZ DIFERENÇA
POR Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Afonso Martins

Detalhe do teto na exposição Desejos, de Andrea Ebert


A instalação é uma arte feita para um espaço específico, onde o objeto existe em cumplicidade com o espaço. O entendimento de site specific surgiu em decorrência das práticas minimalistas, do avanço das formas tridimensionais para o espaço puro e idealista do cubo branco, ou seja, o museu. Nalva Melo Café Salão, não é um museu, mas abriga Desejo, título da obra de Andréa Ebert, na qual é possível ver claramente o conceito de instalação.

Fugindo dos tradicionais espaços de exposição que algumas vezes carecem de estrutura, a artista preferiu explorar e brincar com as linhas geométricas espalhando suas instalações e seres – que ora lembram ginastas ora mergulhadores em órbita em uma busca ardente – pelos ares próprios do Salão/Café.

Antes da montagem a artista fotografou e estudou o lugar para dispor a obra que se configura em vários fragmentos que são espalhados num recinto delimitado para configurar sua totalidade. A relação dos objetos está na forma e no conceito. O observador vai explorando o espaço, descobrindo a obra e, esta lhe provoca uma agudeza de espírito. Há uma delicada surpresa a cada fragmento percebido; daquelas que só a realização de um desejo intenso é capaz de proporcionar.

Se as formas desenham sensações, as caixas de acrílico lacradas, que dão a ilusão de estarem iluminadas, problematizam as concretudes das cores, fruto da investigação da artista que questiona sobre o quanto uma cor pode ser palpável. Para a artista, "A cor do mar é não palpável, pois se colocamos dentro do copo ela desaparece. As flores do jambo se forem trituradas, perdem a cor de seu espaço. A cor do céu não é papável como a cor da terra. As caixas estão lacradas, como uma tentativa de tornar as cores concretas".

A exposição solicita do espectador uma quietude para, em seguida, mergulhar profundamente com muita elegância no universo de sentidos reconfigurados. É possível, também, perceber o conceito de Espaço em Obra, de Alberto Tassinari, no qual a relação dialética entre a substância física da obra e o meio circundante que inclui o espectador não deixa de implicar um "conteúdo" (que, de alguma forma, sempre será metalinguístico), mas nega-se a adotar as vias narrativas consagradas. Andréa coloca o espaço do Nalva Melo Café Salão em obra e deixa o espectador entrever o aspecto do processo criativo.

Se Caetano Veloso nos diz que “A gente não sabe o lugar certo de colocar o desejo ” é pelo fato de que o próprio desejo tem uma natureza diversa, colorida e assume múltiplos percursos. Andrea nos mostra isso sabendo muito bem onde colocar seus desejos e reforça a tese de Arnaldo Antunes ao afirmar que as cores como fenômeno se manifestam nas coisas.


CurtasCURTASCurtasCURTASCurtasCURTASCurtas


De 7 a 27 de julho, acontece em Bragaça Paulista o Festival de Arte Serrinha, que traz vários artistas convidados e um ciclo de debates e palestras. Mais: http://festivaldearteserrinha.uol.com.br/
.....
Até 11 de agosto seguem as inscrições para o Festival de Performance de Cali, na Colômbia, a realizar-se de 04 a 08 de novembro. Mais: http://www.helenaproducciones.org/
....
O Diretório Acadêmico da EBA/UFMG torna público a abertura de inscrições de propostas para Residência Artística a serem realizadas por meio do Projeto ACasa, durante os dias 15 a 30 de Julho de 2008 em Diamantina/MG. Mais: http://www.eba.ufmg.br/da/acasa/

Publicado em 10 de junho de 2008

04/06/2008

31 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

ARTE SITUADA
por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Afonso Martins
Vídeo de Emily Jacir, onde trabalha temas como identidade, deslocamento e zonas de conflito.
Com base nos estudos de Kiki Mazzucchelli, crítica de arte independente e pesquisadora do Goldsmiths College, sobre arte situada, partimos nossas reflexões de hoje.

A arte como projeto parte da idéia de evolução de um conceito que privilegia as questões imateriais do trabalho artístico, a participação do espectador e permeia a questão temporal do trabalho. Pode-se dizer que seus primórdios estão relacionados a década de 20, com os ready-mades quebrando as questões das regras estabelecidas; passa pelos anos 60 com a arte conceitual aumentando a força questionadora dos parâmetros de valor da produção artística; chega aos anos 90, com os coletivos, curadores e o engajamento social, político, ambiental, tecnológico, científico, geográfico e explode no grande número de práticas e ações efetivas em torno do ambiente que circunda o processo artístico e que não está desvinculado dele, aos quais alguns pensadores denominam de práticas relacionadas.

Clare Doherty, em 2004, tornou conhecida a expressão arte situada, em seu livro “From Studio to Situation” (do estúdio à situação), descrevendo ações nas quais o contexto do trabalho é o ponto de partida para o artista e sendo assim, redefine a questão do espaço, inclusive do próprio contexto de site specific, que segundo os estudiosos já não dão conta das inúmeras possibilidades criadas pelos artistas.

O entendimento do ambiente, do espaço, da moradia, do trabalho, da área de lazer mudou. No século XXI buscamos agora vida no sistema solar o que redefine nosso posicionamento no universo. Esse olhar diferenciado para o lugar (entendido como site) o torna parte de um processo social, político, econômico, cultural etc e, assim, flexível. Surge a situação e o contexto como ponto de partida. O que era site specific evolui a novos conceitos: context specific, site-orietend, site-responsive. Essa diversidade de terminologias, influenciadas também pela interação com outras áreas como a psicologia, a história natural, antropologia, a arquitetura e o urbanismo, a teoria política, a sociologia, a filosofia etc, é englobada pelo termo arte situada.


Segundo Doherty, estar situado é estar deslocado, entendendo esse processo como uma “entidade mutável e fragmentada”, bem como utilizar não só um vocabulário com base no social, mas ações com base na mediação do artista nos contextos.


O crítico e curador francês Nicolas Bourriaud comenta das proximidades do modelo de alienação capitalista pós-industrial, pelas práticas e métodos estratégicos de mercado com as movimentações de mercado artísticas e as ações adotadas por alguns artistas. “Qual o propósito de se usar as formas do mundo dos negócios de se tomar relações humanas como modelo?”


Esses caminhos possibilitam ao artista refletir sobre o poder imensurável de criação dentro das realidades diversas locais e da interferência, influência, inspiração a partir das práticas coorporativistas globais móveis. Vem do artista a nova concepção, a vanguarda, introduzir aquilo que o público (ou críticos) rejeitam e tentam enquadrar como forma de discurso, mas nem sempre de entendimento. Algo que situa-se entre a formação e, ao mesmo tempo, a desestrutura da identidade. No entanto, tais práticas necessitam de tempo para amadurecimento e desenvolvimento de novas percepções.
nota:
A partir desta coluna, contamos com a participação do pesquisador e artista Afonso Martins na contribuição das fermentações visuais...

CURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtas


Inscrições para o SPA das Artes Recife 2008 até 07 de julho. Mais: http://www.recife.pe.gov.br/
....
Até 1º de julho, as inscrições para o programa de Bolsas de Investigação Jornalística para o Desenvolvimento Sustentável, parceria da Fundação Avina com a Casa Daros, tem nova categoria: Arte e Sociedade. Mais: http://www.avina.net/ ou celia.abend@casadaros.net
....
Abertas as inscrições de 16 de junho a 04 de agosto para o XVII SABBART – Salão Brasileiro de Belas Artes / Ribeirão Preto. Mais: http://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/
....
Publicada em 03 de junho de 2008

27/05/2008

30 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

RAUSCHENBERG E A POP ART
por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi


Na segunda feira, 12 de maio, morreu em Captiva Island, Flórida, aos 82 anos, o pintor americano Robert Rauschenberg, um dos principais representantes da Pop Art e considerado um dos artistas mais influentes do século 20. Foi o primeiro artista americano a ganhar o grande prêmio da bienal de Veneza, na Itália.


A importância de Rauschenberg está no fato de ter criado a transição entre o expressionismo abstrato, de ícones como Willem de Kooning, Philip Guston e Jackson Polloock, que floresceu em Nova York, na década de 40 e a Pop Art, que teve como expoentes outros célebres artistas, como: Andy Warhol, Richard Hamilton e Roy Lichtenstein.
Rauschenberg foi um dos primeiros a utilizar nos anos 50, elementos comuns diversos à tinta na confecção da pintura, como colagens de garrafas de coca-cola, embalagens, produtos industrializados, que batizou como combine painting, ou Pinturas Combinadas, sendo estes precursores do Pop Art.

O termo Pop Art é utilizado pela primeira vez em 1954 pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura popular da civilização ocidental, sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos. Assim, no final da década de 1950, quando alguns artistas do Reino Unido, após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras. Nascia a Pop Art, como movimento que recusa a separação arte/vida. Para Richard Hamilton os princípios da nova sensibilidade artística são o popular, o transitório, consumível, de baixo custo, produzido em massa, jovem, espirituosa, sexy, chamativa, glamourosa e um grande negócio.

Sua força foi tanta que hoje inspira uma infinidade de correntes, uma vez que tem sua iconografia inspirada na televisão, fotografia, quadrinhos, cinema e publicidade. Envolve a utilização de imagens já existentes na cultura de massa já transformada em duas dimensões, de preferência tomado da publicidade, fotografia, quadrinhos, cinema e imagens televisivas. É uma oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra.

A Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo da cultura popular nos quais se inspirava e contraditoriamente, em virtude da nossa exagerada sociedade, induziu o aumento da aquisição de alguns produtos, como no caso das sopas Campbell, ícone projetado por Warhol que também realizou suas críticas à sociedade de consumo com a concepção da produção mecânica em série, como os retratos mundialmente conhecidos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe.

A Pop Art também possibilita a redefinição de conceitos como a introdução do kitsch, anteriormente considerado fora do limite das belas artes.

Curtas curtas Curtas curtasCurtas curtas CurtasCurtas curtas CurtasCurtas

Segue até 01 de junho, em São Paulo, a exposição "Nano, Poética de um Mundo Novo", sobre o universo da nanotecnologia. Mais: http://www.faap.br/museu/
...........

A Cité Internationale Universitaire de Paris oferece a possibilidade a artistas estrangeiros residir em Paris por um período de 3 a 12 meses, a partir de outubro de 2008. Mais:www.ciup.fr/residence_artistes.htm

..........
O Banco do Brasil recebe inscrições de projetos para a programação cultural de 2009 dos centros culturais do banco nos estados do RJ, SP e DF, e para o Programa Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante, que vai levar diversas expressões artísticas às principais capitais brasileiras. Mais: www.bb.com.br/cultura
Publicado 27 de maio de 2008

20/05/2008

29 - FERMENTAÇÕES VISUAIS- TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

ARTE POTIGUAR EM PROJEÇÃO NACIONAL
por Jean Sartief e Sânzia Pinheiro

XII SAMAP, em João Pessoa

Uma nova geração de artistas potiguares têm despontado no cenário nacional seja buscando o tradicional circuito mercadológico ou buscando o desafiador cenário independente. Tal proeza não é apenas fruto de obras que primam pela qualidade estética, mas por um aprofundamento em pesquisa, materiais, conceitos e estudos que resultam num processo de amadurecimento dos artistas, refletido em seus projetos.


Ao desenvolvê-los, encaminhando-os a salões e exposições, em outros estados ou mesmo por manter suas residências em outros portos, os artistas levam também o nome do estado sacudindo um pouco a inércia que repousava quanto à produção artística potiguar frente ao cenário nacional.


Recentemente três artistas potiguares tiveram êxito em seus feitos, após alguns anos de labuta artística enveredados em pesquisas conduzidas, geralmente sem incentivos, mas logrando êxito e recebendo premiações sem, contudo, terem se ausentado das areias potiguares, feito também realizado por outros artistas tradicionais potiguares. Nesse sentido, a ousadia é típica de nossa verve artística.


Max Pereira foi agraciado com o prêmio de Melhor Fotografia no 14º Salão Unama de Pequenos Formatos, com uma série intitulada “Se Acabó lo Mejor” — o melhor já passou — em exposição até o dia 09 de junho, em Belém.


Vinícios Dantas foi classificado em segundo lugar como artista revelação no XII SAMAP, Salão de Artes plásticas de João Pessoa, com a intervenção urbana “de ficar aqui”. O salão recebeu mais de 300 projetos de todo país na fase de inscrição, e permanece em exposição até 20 de junho.


José Frota foi selecionado para o programa de Exposição Fotográfica do Centro Cultural São Paulo, que selecionou 6 únicos artistas para participar do calendário de exposição deste ano com o intento de propiciar debates propondo um mapeamento da jovem produção fotográfica com o objetivo de abrir espaço a fotógrafos em início de carreira para a inserção no circuito das artes visuais.


Dois outros artistas, que fazem esta coluna, também têm tido êxito em suas carreiras fora do estado. Marcelo Gandhi foi selecionado para o Festival Fora do Eixo que se realiza em Brasília , ainda esse mês e Jean Sartief também selecionado para o XII SAMAP, dentre outros de sua trajetória.


Muitos artistas ainda participam de salões nacionais de prestígio e já vem desenvolvendo pesquisa, produção e visualização de sua obra dentro do cenário nacional. Até o final do ano, esperamos que, outros projetos e artistas potiguares, com certeza, estejam figurando nas listagens de selecionados e quem sabe, trazendo mais prêmios para a arte potiguar e fortalecendo o conceito e linguagens próprios que geram uma multiplicidade artística potiguar de qualidade.

CurtasCURTAScurtasCURTAS CurtasCURTAScurtasCURTAS


Segue até 01 de junho, em São Paulo, a exposição "Nano, Poética de um Mundo Novo", sobre o universo da nanotecnologia. Mais: www.faap.br/museu/


......


Até 23 de maio seguem as inscrições para o IV Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura – IV Enecult, promovido pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura – Cult, da Universidade Federal da Bahia. Mais: http://www.enecult.ufba.br/


......


Essa vai para a prefeitura do Natal. Até 31 de maio seguem as inscrições para o projeto cujo intento é eleger anualmente uma cidade do Brasil com o título de Capital Brasileira da Cultura 2009. A cidade eleita tem a oportunidade de se promover em âmbito nacional e internacional, obtendo projeção como pólo cultural e turístico, além de outros benefícios. Mais: http://www.capitalbrasileiradacultura.org/


......

Publicado em 20 de maio de 2008

13/05/2008

28 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA


DIA DO ARTISTA PLÁSTICO - FESTA OU CELEBRAÇÃO?

por Sânzia Pinheiro, Jean Sartief e Marcelo Gandhi


O dia 8 de maio é o aniversário de José Ferraz de Almeida Júnior (1850– 1899). De formação acadêmica, ele foi o primeiro a pintar o dia-a-dia da nossa cultura, particularmente na última década de sua vida. Além dos personagens do cotidiano, seu trabalho foi marcado pelo tratamento da luz tropical e o abandono da monumentalidade das obras. Paulista de Itu, aos dezenove anos ingressou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde teve aulas de desenho com Jules Le Chevre e, de pintura, com Victor Meirelles. Contemplado com uma bolsa, foi estudar na França entre 1876 e 1882, na Escola Nacional Superior de Belas Artes. Em seus últimos trabalhos, revela influência dos realistas Courbet e Corot.


Essa é a origem do 8 de maio. Natal é uma das poucas cidades do Brasil que comemora o dia do artista plástico. Em 2007, a Capitania das Artes trouxe Aracy Amaral que, em artigo publicado pela Brouhaha, criticou a "festa", e disse em relação a performance dos artistas, ser aquilo artes cênicas e não artes visuais. Como historiadora, museóloga, curadora experiente, chamou atenção para o fato da organização das comemorações serem apressadas. Aracy viu além das comemorações que aconteciam na Capitania das artes e na Pinacoteca, então sugeriu em seu texto que se é uma comemoração que faz parte do calendário da cidade, por que não realizar um projeto amadurecido?


Afonso Martins, artista e intelectual atento aos movimentos culturais da cidade diz ser "conveniente para o gestor público concentrar políticas para a literatura, artes visuais, folclore, em data comemorativas. A comemoração é algo desejável, mas, em Natal, inicia e termina na festa. Nos congressos acadêmicos a festa é uma celebração de dias de fermentações cognitivas, aeróbicas neuronais", conclui Afonso.


Precisamos de um projeto que propicie o desenvolvimento, que fomente a produção e crie estratégias de divulgação da produção local. Não somos a favor de guerras nem de festas alienantes. Lutamos por coerência e desenvolvimento do conjunto das artes visuais potiguares. Festas para tornarem-se um número nas políticas públicas da prefeitura e do governo não interessam.


De toda forma o 8 de maio é comemorado há nove anos em Natal. Em 1999, Pedro Pereira, decide organizar uma comemoração do dia do artista plástico. A idéia segundo Pedro era "congregar artistas para celebrar o dia." Convocou 20 artistas para fazer uma arte viva, pintar, esculpir diante do público tornando o faber um espetáculo. A idéia era viver um dia intenso, Carpem Diem!! AMIZADE, ARTE E VIDA. Esse era o espírito condutor da comemoração, um pouco diferente de hoje. Pedro relembra que só a arte salva. Cura os males espirituais, mentais e físicos. É instrumento maior contra a violência, a miséria e a ignorância. Alimenta a alma. NUTRE COM VIGOR A VIDA! Salve Pedro!

CurtasCurtasCurtas CurtasCurtas CurtasCurtasCurtas CurtasCurtas


Do 18 a 25 de maio, acontecerá em Brasília o "Projeto Fora do Eixo", com a participação de mais de 80 artistas visuais e pesquisadores brasileiros. Mais : http://www.festivalforadoeixo.com.br/


.....


Cildo Meireles ganhou o Prêmio Velázquez 2008 de artes plásticas, o principal prêmio de arte da Espanha. Mais: http://www.canalcontemporaneo.art.br/_v3/site/index.php


.....


O Programa de Democratização Cultural Votorantim voltado para artes visuais, artes cênicas, música, cinema e vídeo, literatura e patrimônio, recebe inscrições até 08/08/08, às 18h. O limite do investimento é de R$ 600 mil por projeto. Mais: www.institutovotorantim.org.br/democratizacaocultural.


....


publicado em 13 de maio de 200

07/05/2008

27 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA

ARTE IMATERIAL
por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro e Marcelo Gandhi

Pegadas no céu. Foto: Jean Sartief

A arte contemporânea, cada vez mais, segue oferecendo uma multiplicidade de caminhos justamente porque está aberta a todas as possibilidades, sem rejeitar ou tornar a arte tradicional uma ‘inimiga’, como já falamos em outra coluna, mas possibilitando ao público a viabilidade de fruição de formas antes inimagináveis e muitas vezes a partir de referenciais comuns e até mesmo puramente conceituais.

Entre essas possibilidades existe a arte imaterial que viabiliza projetos efêmeros ou situações que se traduzem na própria manifestação artística.

O próprio conceito de imaterialidade permeia também expressões tradicionais, como as tradições culturais, saberes, modos de fazer, celebrações, costumes, lendas, danças, cantigas, músicas que vão do popular ao erudito, do tradicional ao contemporâneo.

O processo cria novas premissas e acentua a não obrigatoriedade de recursos tecnológicos ou multimídias para se atingir o público e, também, ressignifica conceitos dentro do próprio sistema de arte. Como vender uma arte imaterial? Há a necessidade de venda? Como um museu pode preservá-la? Há necessidade de preservá-la ou precisamos é vivê-la? Que novos conceitos são esses?

São, de uma forma geral, ações artísticas imersas dentro do momento de sua realização. Efetua-se a questão no espaço e no tempo que ocupa. Às vezes não há registros ou não os são permitidos. Não há necessidade do rótulo de formato ou da representação óbvia de existência vinculada a um lugar. Desmaterializa-se o objeto. Essa força intangível é vivencial e é o que faz toda a diferença que amplia-se além da abrangência da própria arte efêmera.

A arte imaterial permeia o pensamento, as significações. Diferencia-se, assim, ao abstrair-se de conceitos herméticos e até mesmo físicos para colocar o expectador dentro de uma reflexão realmente questionadora sobre a natureza de inúmeras coisas, inclusive da própria arte, extrapolando todas as definições.

O próprio sistema absorve o conceito no chamado capitalismo cognitivo onde a premissa é a transferência da mercadoria material para a imaterial, uma transição da economia industrial para a economia da experiência.

Dentro desse conjunto estabelecido de possibilidades, firma-se a compreensão existencial da real subjetividade com que a arte pode ser compreendida. Faz-se, no encontro, a existência da arte. Seja no encontro do público com a obra física ou na experiência do vivido que toca e na qual ele é tocado. Esse envolvimento coloca a obra em funcionamento.

CURTAS


De 14 a 18 maio 2008, acontece uma das mais importantes feiras de arte do mundo, a Art Moscow. Mais: http://www.expopark.ru/
....
O Museu de Arte contemporânea do Dragão do Mar expõe 300% Spanish Design pela primeira vez no Brasil, com peças de artistas plásticos e arquitetos mais representativos do Séc. XX. Mais: http://www.dragaodomar.org.br/
....
O 17º Encontro de Artes Plásticas de Atibaia (SP) recebe inscrições a partir de 01/05, as quais se estendem até 06/06, via Correios, e até 13/06 pessoalmente. Mais: http://www.atibaia.sp.gov.br/



Publicado em 06 de maio de 2008

02/05/2008

26 - FERMENTAÇÕES VISUAIS - TRIBUNA DO NORTE - TODA TERÇA-FEIRA



MORREU PORQUE ERA ARTISTA OU MULHER?
por Jean Sartief, Sânzia Pinheiro, Marcelho Gandhi




Em seu livro Paisagens do Medo, o geógrafo Yi-Fu Tuan, comenta que na contemporaneidade a maior ameaça, aquela que se destaca em uma cidade, são as outras pessoas. Segundo relata, a malignidade permanece como um atributo humano, não mais atribuído à natureza. Dentro desse processo muitos fatores são reforçados por um sistema global que favorece o aniquilamento do território, da memória, da liberdade, do tempo e do espaço, e principalmente, da ética.

Em 11 de abril, a artista italiana Giuseppina di Pasqualino Marineo, conhecida como Pippa Bacca, de 33 anos, foi encontrada morta, na Turquia, enquanto realizava um projeto artístico. Bacca estava, vestida de noiva, junto com outra amiga artista, perfazendo o trajeto da Itália para o Oriente Médio para celebrar a paz e enviar uma mensagem de casamento entre os povos e nações. O assassino confessou o crime e disse que deu uma carona para ela no dia 31 de março, data em que a violentou e a assassinou.

O fato chama atenção para o conjunto de percepções construídas dentro das vivências dos chamados territórios e de como as pessoas inseridas nesse contexto fazem parte de uma complexidade que não pode ser simplificada ou relativizada. O entendimento da realidade e a construção do espaço se passa, também, a partir da relação entre os sujeitos e o meio. Bacca acreditava em estabelecer relações de confiança, de integração, de vivência nas realidades locais partindo assim para percorrer países que passaram por zonas de conflito.

A ação da artista toca no processo de construção do “território” e de como a arte pode provocar percepções subjetivas não dimensionadas a partir das representações sociais, como acontece em muitas culturas. No oriente médio é comum ver noivas que vão para a cerimônia de casamento num estado de infelicidade. A arte provoca esses sentidos cotidianos que se reconfiguram em perdas e ganhos. São essas novas formas de apreensão e concepção do mundo as matérias-primas de muitos artistas que re-significam as idéias clássicas das relações entre arte, pessoas e o ambiente. Esse relacionar-se com a realidade gera oportunidades fantásticas de abertura ao novo, como também, depara-se com a brutalidade e ignorância quando a irracionalidade é a única forma de lidar com conflitos internos.

São esses medos do mundo, que criamos, que nos fazem prisioneiros de nossa própria armadilha. Os artistas colocam o dedo na ferida. Mostram-nos como criamos processos de rearranjos sociais individualistas e hipócritas que conduzem a uma compreensão irreal (ou atual?) do convívio em sociedade.

Será que ela morreu porque pegou uma carona que não devia ou porque era uma mulher exercitando sua fala ou ainda porque estava vestida de noiva, sozinha, com toda a carga imagética que pode gerar ou porque seu projeto era uma ofensa aos que preferem acreditar na guerra como meio de liberdade? A artista não conseguiu finalizar seu projeto e realizar a mensagem de paz entre povos, sendo ela uma vítima da violência que combatia, no entanto nos trouxe a ávida esperança e coragem de continuar acreditando na arte como essência da vida e da libertação.

CURTAScurtasCURTAScurtasCURTAScurtas

Acontece em Florianópolis (SC), de 19 a 23/08/08, o “17º Encontro Anpap - Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas”. Mais: http://www.anpap.org.br/
......
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) está com inscrições abertas até 14 de maio, para o novo edital em artes visuais do Projeto Trajetórias 2008. Mais: http://www.fundaj.gov.br/
....
Abertas até 06 de maio, as inscrições para o 12º Salão paulista de Arte Contemporânea. Mais: http://www.cultura.sp.gov.br/
publicado em 29 de abril de 2008