O texto de hoje é para aqueles artistas que pretendem se inscrever no II Salão de Artes Visuais Prêmio Abraham Palatnik. Já apontamos, em escritos passados, alguns equívocos no regulamento e no salão anterior. Hoje as questões são: o que é tecnologia? O que está acontecendo no mundo em termos de arte e tecnologia? Quais os conceitos colocados?
Em 09 de junho foi aberta, na China, a coletiva Synthetic Times: Media Art China 2008. Nessa exposição a artista brasileira Rejane Cartoni apresentou a obra OP_ERA: Sonic Dimension (é possível fazer uma visita virtual). O sucesso da obra foi tão grande que a artista foi selecionada para falar por todos os artistas na cerimônia de abertura. O conceito da obra centra-se em "ambientes imersivos-interativos, um híbrido de espaço de dados e espaço físico, além de dispositivos que servem para produzir ilusões espaciais. São promessas de novas interfaces através das quais o humano e o computador poderão comunicar simbioticamente. Nesses ambientes (no caso ideal), o comportamento 'natural' do agente humano está associado ao comportamento 'artificial' do computador de maneira inseparável. Cada ação ou contato estabelecido sob tais circunstâncias gera compreensão equivalente a qualquer uma das partes."
São inúmeros os artistas que trabalham com interfaces como a genética, o corpo humano, a robótica, a biologia, outros animais etc… E aí nos perguntamos, o artista dá conta de todos esses conceitos? Não! Ele trabalha em conjunto com outras áreas. O projeto é concebido pelo artista que pesquisa nas várias ciências e convida, solicita, seduz, engloba cientistas, engenheiros, matemáticos, pesquisadores e outros profissionais que, em diálogo com o criador, viabiliza a obra.
Já Paulo Brusck, realizou, em 1976, experimentações com aparelhos de raio X, eletroencefalógrafos e eletrocardiogramas, tomando os registros dos aparelhos como recursos gráficos. O artista criou uma correspondência entre os estados de ânimo e os efeitos gráficos produzido pelos aparelhos. Essa pesquisa resultou no livro de artista: O Meu Cérebro Desenha Assim (1976), um vídeo e um filme em super 8.
As décadas de 60 e 70 são caracterizadas também por uma explosão dos meios e é dessa época que o artigo de Walter Benjamim A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, se populariza. A tecnologia dos anos 60 abriu novos e insuspeitadas possibilidades à criação artística. Os artistas conjugam metafísica, tecnologia, arte e ciência. Essas interfaces só têm se ampliado!
Muitos concordam que o uso do computador para a feitura de arte pode ser datada em 1959, na Escola Politécnica de Stuttgart, quando Théo Lutz cria poemas clássicos e não uma obra com características dos "médiuns" utilizados.
Outros artistas trabalham com suportes avançados, conceitos que são híbridos de várias áreas. Há aqueles que estão preocupados com as interfaces entre corpo e máquina ou estão trabalhando no campo da body art e da bioarte, como por exemplo o australino Stelarc e a francesa Orlan que promovem a crescente simbiose entre a carne e a técnica; o orgânico e o inorgânico, problematizando as novas configurações corporais.
Se quisermos provocar desenvolvimento nas artes visuais do RN é importante lembrarmos que uma coisa é a proposição do salão, outra coisa são as obras apresentadas. Para os artistas há dois caminhos quanto a esse salão: ou se inscrevem com uma obra que se sintoniza com as questões contemporâneas e a produção atual e a tecnologia ou não se inscrevam. Acreditamos que isso é uma coisa chamada ética e coerência.
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Acontece até 26 de julho a V edição da Bienal de São Tomé e Príncipe. Mais: http://www.bienalstp.org/
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Inscrições para o Salão de Artes Visuais do 9º Festival do Instituto de Artes (Feia 9), da Unicamp, em Campinas (SP), até 25 de julho. Mais: http://www.feia.art.br/
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Segue até o dia 2 de julho de 2008 as inscrições para o 7° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia. Mais: http://www.cultura.gov.br/




